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TÍTULO: A Pesca no Pantanal de Mato Grosso do Sul, Brasil: Discussão, nível de exploração e manejo. (1994-1999) AUTOR: Agostinho Carlos Catella INSTITUIÇÃO: INPA/UA
RESUMO:
Esta tese apresenta e analisa a
situação atual da pesca no Pantanal de Mato Grosso do Sul, incluindo a atividade
dos pescadores profissionais artesanais e a dos pescadores esportivos. O
trabalho baseou-se, sobretudo nas informações coletadas pelo Sistema de
Controle da Pesca de Mato Grosso do Sul – SCPESCA/MS, em toda a Bacia do Alto
Paraguai – BAP entre 1994 e 1999. Compararam-se as características atuais da
pesca e de períodos anteriores, procurando-se relacioná-las com as alterações
naturais do ecossistema, qualidade ambiental, política e legislação pesqueira. A
pesca modificou-se radicalmente a partir da década de 1980, ocorrendo a retração
da pesca profissional, que perdeu poder de pesca e espaço político com a
proibição do uso de redes e tarrafas, sendo-lhes permitido apenas o uso de
anzol, e a expansão do setor turístico pesqueiro, que se estruturou para atender
um número crescente de pescadores esportivos, atingindo estes quase 59.000 em
1999. O desembarque médio anual total no período foi igual a 1.415 t,
concentrando-se sobre as maiores espécies, sendo ¼ da produção (330 t) capturada
pelos pescadores profissionais e ¾ (1.086 t) pelos pescadores esportivos. Em
média, cerca de 73% da captura ocorreu nos rios Paraguai e Miranda. O intenso
assoreamento do rio Taquari, decorrente de práticas inadequadas de uso e
ocupação do solo da Bacia, reduziram sua produção pesqueira média de 485 t /ano
(1979-83) para 72 t /ano (1994-99). Cerca de 2.900 pescadores profissionais
encontram-se atualmente em atividade, com rendimento anual mediano de 75 kg /pescador-viagem.
O setor apresentou dois picos de produção anual no período estudado, um em março
e outro a partir de agosto, destinada em mais de 70% ao comércio estadual. A
captura da pesca esportiva acompanhou o número mensal de pescadores, que
aumentou do início para o final do ano, caracterizando os períodos de baixa
(fevereiro – junho) e alta temporada (julho – outubro), porém, a CPUE desses
pescadores diminuiu em função do aumento de seu próprio número. Os pescadores
esportivos vieram, sobretudo por via rodoviária e oriundos do Estado de São
Paulo, pescaram durante 5 dias, capturando 21 kg /pescador-viagem, em mediana.
Os pescadores profissionais apresentaram maior CPUE do que os esportivos, numa
razão de 2,89 entre suas capturabilidades (q). A CPUE total da pesca variou em
função da amplitude das cheias, com um tempo de reação de cerca de 2 anos. Há um
indicativo geral de que os recursos pesqueiros encontram-se relativamente pouco
explorados, o que foi corroborado pela relação da captura versus esforço para a
pesca total e para as principais espécies, sendo que, apenas os estoques de pacu
Piaractus mesopotamicus e, provavelmente, de jaú Paulicea luetkeni apresentaram
indicativo de sobrepesca. Utilizando modelos de produção excedente, estimou-se
YMSY para o pacu entre 430 e 562 t e fMSY entre 150.000 e 91.000 pescador-dia, o
que já foi ultrapassado. Utilizando-se modelos empíricos de captura verificou-se
que a produção da pesca profissional e esportiva pode ser explicada, além do
esforço, pela altura do rio, temperatura e mês ou período hidrológico, e suas
interações. Nesta tese, procurou-se valorizar o bem estar do homem e a efetiva
conservação dos recursos pesqueiros do Pantanal, recomendando-se (a) a gestão
participativa da pesca, em substituição às formas impositivas e excludentes
adotadas até então, (b) adaptação do manejo às variações naturais do ambiente e
(c) a necessidade de se planejar o desenvolvimento integrado de toda a Bacia do
Alto Paraguai.
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