JUNHO/2006 – Fazenda parcialmente inundada pelas águas do Rio Paraguai.

 

MAIO/2006 – Estrada Parque inundada pelas águas do Rio Paraguai na região do Porto da Manga.

 

MAIO/2006 - Porto Geral de Corumbá quando o nível do Rio Paraguai encontrava-se próximo do pico da cheia.

 

OUTUBRO/2005 – Porto Geral de Corumbá quando o nível do Rio Paraguai encontrava-se baixo.

Cheia do Rio Paraguai no Pantanal é a maior dos últimos nove anos

No dia 22 de junho, a centenária régua de medição do nível do Rio Paraguai localizada em Ladário - MS registrou o seu nível máximo de 2006, que foi de 5,40 metros. Durante o período de 1998 a 2005, o nível máximo na régua ladarense foi de 5,18 metros, ocorrido em junho de 2003. Em maio de 1997 o nível máximo anual, também denominado de pico da cheia, foi de 5,69 metros, sendo, portanto 29 centímetros maior que a cheia desse ano.

No início de maio, o método probabilístico desenvolvido pela Embrapa Pantanal, sinalizava que o pico da cheia de 2006 ocorreria em junho e que deveria ficar compreendido entre 5 a 5,49 metros, o que acabou se confirmando.

Fato interessante é que a cheia deste ano aconteceu após o Rio Paraguai, em Ladário, ter registrado, no final de 2005, o menor nível dos últimos 32 anos (1974-2005), que foi de apenas 88 centímetros. Devido a grande capacidade de armazenamento de água no Pantanal, a tendência é de que um ano com bastante armazenamento de água (elevados níveis dos rios), favoreça a ocorrência de uma cheia maior no ano seguinte, e vice-versa. Assim, considerando a ocorrência de níveis muito baixos em 2005, ou seja, baixo armazenamento d’água na planície pantaneira, o normal seria a ocorrência de uma cheia menos intensa em 2006. Apesar de constituir exceção a regra, fatos como o de 2005/2006, também foram observados mais recentemente em 1973/1974 e em 1994/1995. Muito provavelmente durante o período chuvoso desses anos, que normalmente é de outubro a março, o volume de chuvas no Pantanal e principalmente nas cabeceiras dos rios pantaneiros, localizados no Estado de Mato Grosso, foi bem acima do normal para estes meses.

A cheia de 2006 favoreceu a navegação comercial pelo Rio Paraguai. Os peixes do Pantanal, principalmente os cardumes localizados ao longo do Rio Paraguai, também foram beneficiados com a maior oferta de alimentos decorrente da inundação de extensas áreas de campos marginais. O turismo é outra atividade favorecida pelas belas paisagens proporcionadas pela cheia do Pantanal. Entretanto a cheia desse ano interrompeu o trafego de veículos na Estrada Parque nas imediações do Rio Paraguai, no Porto da Manga. A expectativa é que em julho o trafego nesta importante via de acesso a fazendas da sub-região da Nhecolândia já esteja restabelecido.

A cheia de 2006 causou apreensão em muitos pecuaristas das sub-regiões do Paraguai, Abrobal e principalmente do Nabileque. Diante do risco de inundação pelo Rio Paraguai de extensas áreas recobertas por pastagens nativas e até mesmo da morte de animais, produtores rurais tiveram que vender parte dos seus bovinos e/ou transportá-los para outras fazendas livre da inundação.
 

Fonte: Sérgio Galdino - Hidrólogo, Pesquisador da Embrapa Pantanal.
Última atualização feita em 03/07/2006
 

 


 

 

Localização das sub-regiões associadas à enchente do Rio Paraguai no Pantanal Sul-mato-grossense.

 

 

 

 

 

As principais cheias do Pantanal

·         1905 - No mês de maio, o Rio Paraguai atinge a marca de 6,62 metros.

·         1988 - Em abril desse ano, acontece a maior cheia do século passado, quando as águas do Rio Paraguai atingiram o nível de 6,64 metros.

·         1995 - A última grande cheia, o rio atinge o pico de 6,56 metros.

Entretanto, a cheia que mais prejuízo causou para a pecuária bovina do Pantanal, foi a de 1974, quando milhares de cabeças de gado morreram. Apesar do pico (nível máximo) dessa cheia ter sido inferior a 6,0 m (5,46 m), o fato dela ter ocorrido após o mais longo período de seca do Pantanal, pegou os pecuaristas de surpresa. Durante o período de 1964 a 1973, que antecedeu a essa cheia, o nível máximo registrado na régua de Ladário, havia sido de apenas 2,74 metros.

Fonte: Sérgio Galdino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Régua de Ladário - Referencial de cheia ou seca no Pantanal

O Rio Paraguai constitui o principal dreno coletor das águas do Pantanal e planaltos adjacentes, ou seja, da Bacia do Alto Paraguai – BAP. Dentre as dezenas de postos de medição dos níveis d’água dos rios da BAP, o posto fluviométrico do Rio Paraguai, em Ladário – MS, localizado no 6º Distrito Naval da Marinha do Brasil, é o que mais dispõe de dados da bacia, com registros diários desde o ano de 1900. Outra característica importante do posto de Ladário é que por ele passa a maioria do volume d’água da BAP, aproximadamente 81 % da vazão média de saída do território brasileiro. Assim, a régua de Ladário, constitui-se no principal referencial do regime hidrológico da BAP, possibilitando até mesmo a caracterização de um dado período como sendo de seca ou de cheia no Pantanal. Historicamente, quando o nível máximo anual do Rio Paraguai, em Ladário, é igual ou superior ao nível de alerta de enchente, que é de 4,0 metros, este ano é considerado como de cheia no Pantanal, caso contrário como sendo de seca.

Fonte: Sérgio Galdino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Persiste o mais longo e intenso ciclo de cheias do Pantanal.

Diante da confirmação da ocorrência em 2006 de uma cheia normal no Rio Paraguai, em Ladário, está descartada a possibilidade do Pantanal interromper o longo ciclo de cheia, iniciado em 1974. Caso em 2006, o nível máximo do rio tivesse ficado abaixo de 4 metros, que é o nível de alerta de cheia na régua de Ladário, como ocorreu no ano passado, com pico de 3,29 metros, teríamos dois anos consecutivos de seca no Pantanal, ou seja, um novo ciclo de seca. Desde 1900, o Pantanal tem passado por ciclos longos de cheia e de seca, no entanto, nenhum tem sido tão atípico como o atual ciclo de cheia, iniciado em 1974. O ciclo de cheias de 1942 a 1963 durou 22 anos. Nesse ciclo ocorreram cinco anos de seca e o nível médio da régua de Ladário foi de 2,54 metros. O maior ciclo de seca registrado no Pantanal foi de dez anos consecutivos de seca (1964 a 1973). Nesse ciclo de seca, o nível mínimo foi de 61 centímetros abaixo do zero da régua, ocorrido em 1964, o nível médio foi de 97 centímetros e o nível máximo não passou de 2,74 metros, registrado em 1965. O atual ciclo de cheia já dura 33 anos (1974 a 2006), ou seja, é o maior de que se tem registro. Nesse ciclo ocorreram apenas três anos de seca, 1994, 2001 e 2005. No período 1974 a 2005, ocorreram três das quatro maiores cheias no Pantanal: em 1988 a maior cheia com pico de 6,64 metros, em 1995 foi a terceira maior com nível máximo de 6,56 metros e a cheia de 1982, a quarta, com pico de cheia de 6,55 metros Nesse período (1974 a 2005), o nível médio do Rio Paraguai, em Ladário, foi de 3,44 metros, o que, praticamente, representa um metro acima da média do ciclo de 1942 a 1963.

Fonte: Sérgio Galdino

 

 

 

 

 

 

Fonte: Pesquisador Sérgio Galdino/Embrapa Pantanal

 

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