Pesca:
atividade estratégica para a conservação do Pantanal
A equipe de pesquisadores de Recursos
Pesqueiros da Embrapa Pantanal, publicou, na semana passada, um
documento sobre o papel da Pesca, em suas diferentes modalidades, como
uma atividade estratégica para a conservação dos recursos pesqueiros e
do ecossistema do Pantanal. Baseado em pesquisas realizadas nos últimos
20 anos na região pantaneira, o documento questiona o estabelecimento de
um período de cinco anos de moratória para a pesca profissional e
amadora na região, incluído no Projeto de Lei do Senado 750 de 2011 ,
que se encontra em tramitação.
Segundo os pesquisadores, a pesca
sustentável corresponde ao desfrute da produção excedente dos estoques
pesqueiros, sem prejuízo ambiental. Ao mesmo tempo, pescando realiza-se
o monitoramento dos estoques, tanto de forma direta, pela percepção dos
pescadores sobre os peixes e as alterações do ambiente, quanto por meio
de estudos com base em estatísticas pesqueiras. Nas pescarias
multiusuários – como é o caso do Pantanal - ocorre uma saudável
“fiscalização” mútua de um setor da pesca sobre o outro, o que vem a ser
um mecanismo informal de controle da atividade. Dessa forma, a pesca
realiza o importante serviço de conservação - pelo uso - dos recursos
pesqueiros e o monitoramento da qualidade ambiental do Pantanal para a
sociedade.
No documento, os pesquisadores explicam,
ainda, que não há base técnica que justifique – sob o ponto de vista
social, econômico e ambiental – a imposição de uma moratória para a
pesca, como consta do referido Projeto. “Moratória” é uma medida extrema
de manejo, a qual, caso seja preciso adotá-la, deve sê-lo por meio de
uma norma complementar, para ser prontamente revertida quando
necessário.
Nas condições atuais, se adotada, essa
medida não reduzirá os efeitos dos fatores externos à pesca, que
ocasionam perda de qualidade ambiental, e sim resultará na exclusão dos
setores que efetivamente dependem e conservam os recursos pesqueiros,
deixando o rio e o ambiente à mercê dos impactos oriundos de diversas
fontes. A proibição da pesca, em suas diferentes modalidades,
implicaria, ainda, em sérios problemas sociais e econômicos. Para os
pesquisadores, haveria perda da cultura do pescador profissional,
desemprego, gastos públicos com seguro-desemprego e recolocação das
pessoas no mercado de trabalho, desarticulação do setor turístico
pesqueiro, desaquecimento da economia regional, comprometimento da
segurança alimentar e redução da oferta e aumento do preço do pescado,
estimulando, ainda, a pesca e o comércio ilegais.
O link para o Documento completo “ Pesca:
uma atividade estratégica para a conservação do Pantanal” pode ser
acessado em :
http://www.cpap.embrapa.br/pesca/online/PESCA2012_CPAP1.pdf
Mais informações:
SAC da Unidade
Texto:
Raquel Brunelli
Jornalista –
DRT/MS 113
NCO - Núcleo de
Comunicação Organizacional
Embrapa Pantanal,
Corumbá (MS)
(67)
3234-5882
E-mail:
brunelli@cpap.embrapa.br