No ano em que o Brasil recebe a
Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável da Organização das
Nações Unidas (Rio+20), a tônica das comemorações dos 39 anos da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa é a
sustentabilidade. Nesta quarta-feira (25), a Empresa vai mostrar uma
visão moderna e coerente para o futuro da agricultura no contexto da
economia verde e do desenvolvimento sustentável.
Em
exposição na Sede em Brasília (DF), a história recente da agricultura
brasileira, revelando como o País superou o quadro de dependência e
insegurança alimentar que perdurava até 60 anos atrás com uma
trajetória inteligente e planejada que culminou na autossuficiência,
na capacidade exportadora e no grande progresso em direção a sistemas
integrados e sustentáveis, construindo as bases para a moderna
bioindústria brasileira do futuro.
Mas os
novos tempos trazem desafios ainda maiores. A agricultura do futuro
deve se basear em conceitos, métodos e aplicabilidades
multifuncionais. Apoiada em modernos padrões tecnológicos mundiais e
sintonizada com o modelo de economia verde, o setor se pautará por um
novo conjunto de funcionalidades e requisitos, como saúde e bem-estar,
serviços ecossistêmicos, sistemas integrados e sustentáveis, mercados
étnicos e regionais e bioenergia, que deverão conformar o padrão
tecnológico do agronegócio do futuro.
Novas
tecnologias
É nesse
sentido que o 39º aniversário da Embrapa focaliza os novos paradigmas
de produção e economia verde, apresentando os temas que serão levados
à Rio+20 e tecnologias inovadoras. Além da assinatura de convênios e
parcerias e do anúncio de “XXI - Ciência para a Vida”, a revista
científica da Empresa, serão lançadas 18 tecnologias: um método
científico, três produtos, sete cultivares de soja, duas de trigo, uma
de capim, uma de cevada, uma de tomate e duas novidades em software.
Será
lançado um método científico para identificação precoce de bovinos
Nelore com maior potencial para carne macia, por meio de marcadores
moleculares. Os novos produtos são a Tecnologia de Vida de Prateleira
(TEV), baseada em uma técnica de empacotamento dos produtos que
permite aumentar de quatro semanas para seis meses a validade de
pesticidas biológicos à base de fungos; o Portal África, ferramenta
que fornece conhecimento e acesso a tecnologias, serviços e produtos
agropecuários adaptados às diversas regiões do continente africano; e
o fertilizante organomineral fosfatado granulado, uma alternativa em
fertilizantes e um meio de reaproveitamento de resíduos de origem
animal e vegetal.
As
cultivares de soja lançadas – seis transgênicas (BRS 334RR, BRS 333RR,
BRS MG 760 S RR, BRS MG 780 F RR, BRS GO 7460 RR e BRS Tordilha RR) e
uma convencional (BRS 361) – atendem a diferentes regiões produtoras
do País, aliando maior produtividade e resistência a doenças. Já as
novas cultivares de trigo são a A BRS Gralha Azul, com alta força de
glúten e tenacidade, da classe Pão/Melhorador apto para um mercado
cada vez mais exigente em farinha para fabricação do pão francês; e a
BRS 328, da classe Pão, que demonstra reação de resistência à
germinação na espiga em pré-colheita, característica indispensável
para a produção no Sul do Brasil.
A nova
cultivar de capim é a braquiária humidícola BRS Tupi, uma alternativa
de uso para áreas úmidas sujeitas a alagamentos temporários, como o
Pantanal. Em comparação à humidícola comum, apresentou desempenho
superior, sobretudo na seca. A cevada BRS Manduri tem alto potencial
de rendimento e comprovada qualidade de malte para fim cervejeiro,
além de ampla adaptação com desempenho competitivo nas principais
regiões de cultivo irrigado (SP, MG, GO e DF) e na Região Sul. E o
tomate BRS Iracema é um híbrido do tipo Cereja que apresenta elevado
teor de açúcares, licopeno e resistência a nematóides.
Software
Em julho de
2011, a Embrapa passou a integrar o GEONETCast, um sistema de baixo
custo de difusão de informações ambientais que permite a distribuição
de dados de satélites, de observações in situ, de produtos e de
serviços do Programa GEOSS (Global Earth Observation Systems of
System) a usuários que disponham de uma infraestrutura mínima em
qualquer ponto do planeta. Com o uso dos dados disponibilizados pelo
GEONETCast, foram desenvolvidas tecnologias relacionadas ao
monitoramento da intensificação da agricultura (“Cropland Masks for
Large Areas in Brazil”), à identificação de áreas com plantio de
cana-de-açúcar (“Spectral Angle Mapping and Multitemporal SPOT
Vegetation Products for Sugarcane Detection”) e à avaliação espacial
da cobertura vegetal (“Avaliação da cobertura vegetal na escala do
Estado de São Paulo: uma ferramenta para auxiliar no processo de
tomada de decisão”), que agora serão lançadas.
Outra
novidade em software é o Deltadiet, um guia prático ilustrado para
identificação da dieta de herbívoros a partir da leitura de lâminas
fecais. O usuário compara as características da planta na lâmina fecal
(por exemplo, características anatômicas da epiderme) com o banco de
referência (descritores e fotos). Ao se conhecer a composição botânica
ou as espécies forrageiras chaves consumidas pelos animais, será
possível definir estratégias de manejo sustentáveis e contribuir para
a conservação da fauna silvestre e dos ecossistemas.
A
solenidade marca ainda o lançamento de duas novidades gastronômicas: o
patê de pacu, produzido a partir do peixe proveniente da pesca
artesanal no Pantanal, e o livro “Delícias com Arroz e Feijão”, que
traz uma série de receitas com os dois produtos e seus subprodutos
(farinha e farelo de arroz), mostrando a versatilidade de ambos em
pratos como bolos, biscoitos, saladas, doces, sorvetes e pratos
salgados, ora em substituição, ora como incremento aos ingredientes
tradicionais.
Na
oportunidade, a Embrapa vai lançar os seus 13 primeiros e-books. São
diversos temas, que poderão ser acessados em tablets (em particular o
Ipad) e smatphones. Também serão lançadas 38 publicações impressas,
abordando sustentabilidade, inclusão produtiva, produção vegetal,
pecuária e integração lavoura-pecuária-floresta. Outros lançamentos
são o Balanço Social e o Relatório de Gestão da Empresa referentes a
2011, o hotsite Agro Sustentável (www.agrosustentavel.com.br),
destacando tecnologias e temas para uma agropecuária sustentável, e o
perfil corporativo da Embrapa no Twitter (@embrapa).
Prêmio
Durante a
solenidade, será entregue o Prêmio Frederico de Menezes Veiga, que
neste ano tem como temática a agricultura na economia de baixa emissão
de carbono. Os agraciados deste ano serão Carlos Clemente
Cerri, pesquisador do Cena/Esalq/Usp, que desenvolve estudos
sobre emissão e sequestro de carbono na agropecuária, e
Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja
(Londrina, PR), que trabalha com fixação biológica de
nitrogênio (FBN) pelas plantas.
A Embrapa
também vai homenagear Paulo de Tarso Alvim (1919-2011), diretor
técnico da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac)
entre 1963 e 1988. PhD em Fisiologia Vegetal, suas pesquisas
contribuíram para aumento da produtividade dos cacaueiros e cafezais
do Brasil e de países latino-americanos.
Embrapa
A Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vinculada ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi criada em 26 de abril de
1973. Tem como missão viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento
e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da
sociedade brasileira. A Embrapa atua por meio de 47 Unidades de
Pesquisa e de Serviços e de 14 Unidades Centrais Administrativas, e
está presente em quase todos os Estados da Federação, nos mais
diferentes biomas brasileiros. Em 2011, a Empresa contava com 9.660
empregados, sendo 2.392 pesquisadores – 18% com mestrado, 74% com
doutorado e 7% com pós-doutorado. O orçamento para 2012 é de R$ 2,1
bilhões.
Desde a
criação da Embrapa, a safra de grãos quadruplicou, assim como
aumentaram a produção e a produtividade da pecuária bovina, suína,
caprina, ovina e avícola. A oferta de leite, couro, pele, embutidos,
queijo e ovos seguiu o mesmo caminho, bem como, em maior ou menor
grau, as hortaliças, frutas, flores, fibras e essências florestais. Em
2011, para cada R$ 1 aplicado na Embrapa, R$ 8,62 retornaram para a
sociedade. Esses valores levam em conta apenas a soma dos ganhos
relativos à adoção de uma amostra de 114 tecnologias e cerca de 163
cultivares.
A Embrapa
coordena o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA),
constituído por instituições públicas federais, estaduais,
universidades, empresas privadas e fundações que, de forma cooperada,
executam pesquisas nas diferentes áreas geográficas e campos do
conhecimento científico. No âmbito internacional, a Empresa mantém 78
acordos de cooperação técnica com mais de 56 países, 89 instituições
estrangeiras, principalmente de pesquisa agrícola, além de acordos
multilaterais com organizações internacionais, envolvendo
principalmente a pesquisa em parceria e a transferência de tecnologia.