Ovinos do Pantanal precisam
de planos de uso e conservação
Pesquisa de
caracterização do sistema de criação de ovinos naturalizados do Pantanal
indica a necessidade de ampliação dos planos de conservação para este
grupo genético. Estes animais, com os bovinos e cavalos Pantaneiros, se
estabeleceram no decorrer de centenas de anos de adaptabilidade às
condições da região.
Atualmente, grande parte
dos núcleos de criação apresenta rebanhos fechados por algumas gerações
com grau elevado de consanguinidade e núcleos descaracterizados na
aparência em razão de cruzamentos com espécies exóticas ou comerciais na
região. A consaguinidade é o grau de parentesco entre indivíduos
descendentes de pais comuns.
Os estudos foram
desenvolvidos pela pesquisadora Sandra Aparecida Santos, da Embrapa
Pantanal, em conjunto com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
(pesquisador Samuel Rezende Paiva) e com apoio financeiro da Fundect
(Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do
Estado de Mato Grosso do Sul).
A Embrapa Pantanal
(Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária -
Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, iniciou os estudos-piloto de caracterização destes
animais em 2005, pela necessidade de diversificação e de agregar valor à
pecuária bovina.
Os resultados deste projeto atual foram apresentados em
outubro durante o 7º Simpósio de Recursos Genéticos para América Latina
e Caribe, realizado no Chile.
Sandra explica que os
ovinos pantaneiros são rústicos e resistentes e têm sido procurados para
implementar essa característica em rebanhos de outras regiões do país.
“No Pantanal existe variabilidade genética passível para ser trabalhada
tanto em programas de melhoramento como de conservação”, afirmou a
pesquisadora.
Dentro deste mesmo
projeto, estudos com marcadores moleculares estão sendo finalizados para
quantificar a variabilidade genética existente dos animais amostrados
nos rebanhos bem como para subsidiar uma futura homologação deste grupo
genético junto ao ministério. Estes resultados serão comparados com
outros em andamento na região.
A pesquisa revelou ainda
que animais de um mesmo local de coleta (mesma propriedade) foram mais
semelhantes entre si do que em relação a outro ponto de amostragem.
“Esse resultado é válido para subsidiar medidas de manejo de troca de
animais entre as propriedades de forma a manter a variabilidade genética
deste grupo e reduzir a endogamia (consaguinidade) média local”,
explicou.
Estes estudos são
essenciais para a ampliação do programa de conservação deste grupo
genético, já em desenvolvimento na Embrapa Pantanal, bem como para
promover no futuro uma maior integração entre os produtores e
instituições de ensino e pesquisa da região e do país que realizam
estudos com estes animais que se mostram como uma alternativa produtiva
de potencial para a região pantaneira.
Mais informações:
sac@cpap.embrapa.br
Texto:
Ana Maio
Jornalista – Mtb –
21.928
Área de Comunicação e
Negócios
Embrapa Pantanal,
Corumbá (MS)
(67) 3234-5864
E-mail:
anamaio@cpap.embrapa.br