Pesquisa avalia tipos de pastagens
nativas preferidos por ovinos no Pantanal
Pesquisa de
caracterização do sistema de criação de ovinos naturalizados do Pantanal
avaliou as pastagens nativas preferidas por esse animais. A pesquisadora
Sandra Santos, da Embrapa Pantanal, constatou que os ovinos preferem as
pastagens de menor porte e superpastejadas que estão localizadas próximo
das sedes das fazendas avaliadas.
As principais forrageiras
consumidas variaram conforme os tipos de pastagens nativas existentes
nas fazendas, tais como capim-mimoso e capim-mimosinho, geralmente
presentes nas áreas mais baixas e intermediárias do Pantanal.
Próximo às sedes, eles
consomem espécies forrageiras comuns de locais perturbados (muito
pisoteados) como a grama-de-burro e a grama-forquilha. Das espécies
forrageiras exóticas, observou-se que os ovinos consomem Brachiaria
humidocola e Panicum repens, embora prefiram as forrageiras
nativas de áreas baixas do Pantanal, como bordas de lagoas e vazantes.
“Em uma das fazendas, observou-se que os animais procuravam avidamente
folhas de seriquela, ricas em proteína”, comentou Sandra.
Amostras de fezes foram
colhidas para análise microhistológica da dieta, que será feita no
laboratório de Dieta Animal da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
A pesquisa de
caracterização das raças foi desenvolvida pela Embrapa Pantanal em
parceria com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e avaliou,
além dos hábitos alimentares, o fenótipo (aparência) das raças, o estado
sanitário e práticas de manejo de ovinos criados no Pantanal da
Nhecolândia, uma das sub-regiões do Pantanal.
“Estudos preliminares têm
mostrado que a raça naturalizada existente na planície pantaneira é de
médio porte, apresentando peso corporal em torno de 60 quilos para
machos e 40 quilos para as fêmeas”, afirmou Sandra.
Em relação ao estado
sanitário, a pesquisa constatou que, de maneira geral, ocorreu um grau
muito baixo de infecção em todas as fazendas durante o período de
amostragem (final da seca). Mas a pesquisadora afirma que essa coleta
precisa ser refeita no período de cheia, quando a ocorrência de
infecções é mais comum. Adicionalmente será importante realizar esta
coleta de forma comparativa com raças comerciais na região para
evidenciar a rusticidade deste animais.
Ao todo, oito fazendas
tradicionais foram pesquisadas. Todas criam ovinos nas mesmas pastagens
de outras espécies de animais domésticos e utilizam apriscos (estrutura
para recolher os animais) para proteção do rebanho durante a noite. Os
principais predadores são o porco monteiro, a onça parda e o carancho.
O estudo indicou ainda
que cada propriedade apresentou, em média, 80 animais. Outro dado
importante é que apenas 20% dos ovinos recebiam sal mineral específico,
de forma que a grande maioria recebia mineralização conjunta com os
bovinos.
Mais informações:
sac@cpap.embrapa.br
Texto:
Ana Maio
Jornalista – Mtb –
21.928
Área de Comunicação e
Negócios
Embrapa Pantanal,
Corumbá (MS)
(67) 3234-5864
E-mail:
anamaio@cpap.embrapa.br