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Unidades Ambientais Naturais e Unidades Ambientais Sócio-Econômicas |
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João dos Santos Vila da Silva, matemático, M.Sc., Embrapa Pantanal Introdução O diagnóstico contempla estudos de natureza física, biológica e econômica de uma maneira setorizada, elaborando a base científica para os estudos integrados. As unidades ambientais naturais e as unidades ambientais sócio-econômicas são regiões presumivelmente homogêneas do ponto de vista ambiental ou do ponto de vista sócio-econômico, delimitadas e caracterizadas por meio das correlações e cruzamentos das informações obtidas do diagnóstico. O objetivo deste trabalho é identificar e caracterizar unidades naturais homogêneas do ponto de vista ambiental e do ponto de vista sócio-econômico, a fim de fornecer subsídios que auxiliem na identificação e na caracterização das unidades de zoneamento ambiental. Metodologia Segundo Ross (1991), as unidades de paisagens naturais se diferenciam pelo relevo, clima, cobertura vegetal, solos ou até mesmo pelo arranjo estrutural e tipo de litologia, ou por apenas um desses componentes. A identificação das unidades ambientais naturais foi baseada na correlação de informações obtidas dos mapas de Geologia e Geomorfologia, definindo-se três compartimentações, desagrega das em seis unidades, delimitadas, principalmente, em virtude do relevo. A caracterização dessas unidades foi realizada mediante o cruzamento com as informações cartografadas pelos temas Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Vegetação, Fauna, Clima, Potencial de Erosão, Arqueologia e Aptidão Agrícola. As unidades ambientais naturais e sócio-econômicas foram definidas a partir do cruzamento das informações dos mapas de Geologia, Geomorfologia, Cobertura Vegetal e Uso da Terra e do levantamento sócio-econômico da região, levando-se em consideração principalmente as características de apropriação da terra e de seu uso atual. Dessa maneira, o critério mais importante foi a distribuição espacial das atividades produtivas da área de estudo, para as quais agregaram-se informações econômicas tais como produção, comercialização, infra-estrutura etc., e informações sociais como assistência médica, educação, lazer, habitação etc., a fim de caracterizá-Ias. Os cruzamentos ou sobreposições dos mapas temáticos foram efetuados com o uso de um Sistema de Informações Geográficas (SGI/Inpe). Resultados e Discussão A área de estudo foi individualizada em três compartimentações. A primeira compartimentação separou duas unidades denudacionais, obtidas a partir das informações geológico-geomorfológicas: 1) Coberturas Residuais de Plataformas; e 2) Pantanais. A segunda compartimentação foi obtida pelas unidades morfoesculturais, extraídas do mapeamento geomorfológico, a saber: 1) R<elevo Denudacional Estrutural; 2) Relevo Denudacional; e 3) Relevo de Acumulação. A terceira compartimentação originou as seis unidades ambientais naturais obtidas da subdivisão da compartimentação morfoescultural: 1) morrarias correlacionadas a material ferruginoso (Denudacional/Estrutural); 2) morrarias correlacionadas a material calcário (Denudacional/Estrutural); 3) morrarias correlacionadas a material ferruginoso (Denudacional); 4) morrarias correlacionadas a material calcário (Denudacional); 5) Planície (Denudacional); e 6) Planície de Inundação (Acumulação). Procedimento semelhante foi utilizado por PCBAP (1997). Na Tabela 49 encontra-se o resumo dessas informações, e na Figura 30 observa-se a distribuição das unidades na área de estudo. O mapa na escala de 1:100.000 encontra-se no formato digital na Embrapa Pantanal. A primeira compartimentação refere-se às unidades denudacionais, que são de diferentes origens e idades, tratando-se de formas particularmente grandes (bacias sedimentares, regiões de plataformas etc.). Definem-se pelos tipos genéticos de agrupamentos de litologias e seus arranjos estruturais que determinam as formas de relevo. A segunda compartimentação refere-se às morfoesculturas que correspondem ao modelado ou à tipologia de formas geradas sobre uma ou várias estruturas por meio da ação exogenética. O conceito de morfoescultura volta-se, portanto, às feições de relevo produzidas na terra, pela ação dos climas atuais e pretéritos e que deixam marcas na superfície do terreno, específicas de cada processo dominante. Desse modo, a concepção de morfoescultura refere-se às formas menores de relevo. Correspondem aos conjuntos de formas de relevo que guardam as mesmas características genéticas de idade e de semelhança dos padrões do modelado. A terceira compartimentação consiste na identificação das unidades ambientais naturais, obtidas pela desagregação das formas que geneticamente foram ou estão sendo geradas por processos denudacionais (erosão + intemperismo) ou de acumulação. Os processos denudacionais elaboram as formas esculturais do relevo por intermédio da tectônica e da dissecação, por ação física e bioquímica, tendo, como energia, o clima pretérito e atual e a tectônica. Os processos de acumulação elaboram formas de relevo por deposição de sedimentos, seja em ambientes fluviais, lacustres marinhos ou eólicos. Tabela 49. Identificação das Unidades Ambientais Naturais.
Figura 30. Distribuição das Unidades Ambientais Naturais na área de estudo. Caracterização das Unidades Ambientais Naturais Denudacional/Estrutural - Morrarias correlacionadas a material ferruginoso No aspecto geológico predominam os sedimentos conglomeráticos arenosiltosos, coluviões e eluviões pertencentes à cobertura Detrítico-Laterítico Pleistocênica. Em seguida, vêm jaspelitos ferrugionosos e hematitas fitadas, com intercalações de camadas e lentes de manganês, arcóseos ferruginosos e manganesíferos, arenitos ferruginosos e conglomeráticos, característicos da Formação Santa Cruz, pertencentes ao Grupo Jacadigo. Ocorrem, ainda, de forma menos expressiva, os conglomerados ferruginosos da Formação Urucum, também pertencente ao Grupo Jacadigo; os gnaisses, os granitos e os quartzo-xistos do Complexo Rio Apa; os calcários dolomíticos da Formação Bocaina, pertencentes ao Grupo Corumbá. Caracteriza-se por apresentar uma superfície de topografia movimentada, na qual se encontram solos rudimentares, pouco evoluídos e rasos, por vezes com o horizonte A assentado diretamente sobre a rocha coerente e dura, ou sob:-c o horizonte B incipiente de pequena espessura. De forma predominante destaca-se a ocorrência de Solos Litólicos eutróficos, com argila de atividade alta, horizonte A chernozêmico e textura média pouco cascalhenta, fase pedregosa e rochosa. Ainda com expressiva ocorrência, aparecem os Cambissolos Álico e Distrófico, de textura média a argilosa cascalhenta a muito cascalhenta. As exposições de diferentes tipos de rochas nuas, brandas ou duras, com reduzidas porções de material detrítico, denominadas de Afloramentos de Rochas, também aparecem com ampla dispersão nessa unidade. Ocorrem ainda, de forma restrita na base dos morros, algumas manchas de Podzólico VermelhoEscuro eutrófico e Brunizém Avermelhado. Aproximadamente 50% dessa área encontra-se na classe de potencial erosivo moderada a fraca. Ocorrem, em ordem decrescente, as classes fraca, forte, moderada e muito forte. Com relação aos recursos hídricos, há poços com profundidades intermediárias (86 m) e vazões maiores (60.150 litros/h). Verificou-se a maior ocorrência de sítios arqueológicos, constituídos pelos sítios de Tradição Tupi-Guarani, com petroglifos e não classificados. Predomina Floresta Estacional Semidecidual Submontana entremeada com áreas de Savana Florestada, que não foram individualizadas na escala utilizada. Aparecem ainda manchas de Savana Arborizada e Savana Gramíneo-Lenhosa no topo dos morros. Na área de Floresta Estacional Semidecidual Submontana ocorrem, também, manchas de capoeira, áreas desmatadas que foram abandonadas, áreas com pastagem e locais de mineração de ferro e manganês. Nas bordas da área, próximo à base dos morros, estão situadas manchas de Relíquias (Bancadas Lateríticas) com a ocorrência de espécie endêmica. Observou-se a ocorrência de grandes mamíferos como anta (Tapirus terrestris) e a presença de cinco gêneros de prima tas (Cebus, Callicebus, Allouata, Callithrix e Aotus). Nas áreas florestadas ocorre o ouriço (Coendu prehensilis). Aves de áreas florestadas e ocorrência do sapo Epipedobates pictus para as áreas de córregos intermitentes que atravessam lajedos e bancadas lateríticas também foram verificadas. Os solos dessa unidade apresentam sérias restrições para o uso agrícola. As principais limitações se referem ao relevo bastante acidentado, à pouca profundidade e à presença de cascalhos, pedregosidade e rochosidade. Portanto, com exceção das manchas de Podzólico Vermelho-Escuro e- Brunizém Avermelhado, que foram classificadas com aptidão regular e restrita para lavouras, essa unidade, em sua maioria, possui solos inaptos para o uso agrícola, devendo ser utilizadas para a preservação da flora e da fauna. Denudacional/Estrutural - Morrarias correlacionadas a material calcário Geologicamente, essa unidade é caracterizada pela predominância de calcários dolomíticos com níveis silicificados e vênulos de quartzo. Ocorrem, também, granitos, gnaisses e quartzo-xistos do Complexo Rio Apa e os calcários calcíferos da Formação Tamengo, que caracterizam o Grupo Corumbá. Distingue-se por apresentar uma superfície de topografia pouco movimentada a movimentada, com ocorrência de solos desde rasos até pouco profundos, cujo material de origem provém basicamente de rochas calcárias. São solos que, em razão do material originário, apresentam elevados teores de cálcio e magnésio, assim como alta saturação de bases. São constituídos por um horizonte A chernozêmico de expessura variada, que pode estar sobre a rocha calcária ou horizonte C dela derivado, ou sobre um horizonte B textura 1 ou B incipiente. Destaca-se a ocorrência de Rendzina textura média fase pedregosa e rochosa, Cambissolo eutrófico textura média fase pedregosa e em menor proporção, Brunizém Avermelhado textura média/argilosa fase rochosa e Podzólico Vermelho-Escuro textura média. Aproximadamente 70% da área pertence à classe de potencial erosivo forte. Ocorrem também as classes moderada a forte e muito forte, ocupando aproximadamente 20% e 10% da área de estudo, respectivamente. Com relação aos recursos hídricos, há poços com profundidades (98,5 m) e vazões (18.000 litros/h) intermediárias. Aqüíferos com salinidade média e concentrações baixas de sódio. Há pouca ocorrência de sítios arqueológicos. Foram observados somente dois sítios, sendo um de Tradição Pantanal e outro de Tradição Tupi-Guarani. Predomina Floresta Estacional Decidual Submontana com manchas de capoeiras. Ocorrem ainda áreas com pastagens, áreas com policultura na porção sul e locais com extração de calcário, na porção norte. As atividades faunísticas são reguladas por forte sazonalidade climática, com ocorrência de aves de ambientes xéricos. A maior parte da área possui solos com características inaptas para o uso agrícola, em virtude principalmente do relevo ondulado e forte ondulado, e da constante presença de pedregosidade e rochosidade. O aproveitamento agrícola apresenta-se viável somente nas manchas de Brunizém Avermelhado e Podzólico Vermelho-Escuro. Contudo, sua aptidão foi classificada como regular ou restrita para lavouras, e suas limitações, especialmente no que se refere a susceptibilidade à erosão e impedimentos à mecanização, devem ser observadas. Denudacional - Morrarias correlacionadas a material ferruginoso Ocorrem com maior predominância os sedimentos conglomeráticos arenosiltosos, coluviões e eluviões pertencentes à Cobertura Detrítico-Laterítico. Pleistocênica. Secundariamente, ocorrem jaspelitos ferruginosos e conglomerados petromíticos do Grupo Jacadigo, pertencentes respectivamente às Formações Santa Cruz e Urucum. Nas superfícies de topografia movimentada ocorrem solos pouco evoluídos e rasos, predominando Solos Litólicos com horizonte A chernozêmico, textura média pouco cascalhenta, fase pedregosa e rochosa. Nas superfícies de topografia pouco movimentada destacam-se solos desde rasos a profundos, onde predominam Cambissolo distrófico e Podzólico Vermelho-Escuro. Aproximadamente 70% dessa unidade pertence à classe de potencial erosivo moderada a fraca, e no restante da. área, ocorrem as classes forte e muito forte, 25% e 5%, respectivamente. Há pouca ocorrência de sítios arqueológicos nessa unidade. Foram observados dois sítios que pertencem à Tradição Pantanal. Predomina Floresta Estacional Decidual Submontana com mancha de Savana Gramíneo-Lenhosa no topo do morro e a área de pastagem cultivada na base. Observou-se a ocorrência de grandes mamíferos como anta (Tapirus terrestris) e a presença de cinco gêneros de primatas (Cebus, Callicebus, Allouata, Callithrix e Aotus). Nas áreas florestadas ocorrem o ouriço (Coendu prehensilis) e as aves de áreas florestadas. Quanto ao uso agrícola, somente o Podzólico Vermelho-Escuro possui aptidão restrita para lavoura; os demais solos apresentam-se inaptos, devendo ser utilizados para a preservação da flora e da fauna. Denudacional - Morrarias correlacionadas a material calcário Geologicamente essa unidade caracteriza-se pela presença de calcários do Grupo Corumbá, onde os calcários dolomíticos da Formação Bocaina têm maior predominância que calcários calcíferos da Formação Tamengo. Essa unidade, caracterizada por apresentar uma superfície movimentada, refere-se aos pequenos morros de declividade variada, que ocorrem isoladamente dispersos por toda a área. Apresentam solos rudimentares e rasos, e, por vezes, exposições de diferentes tipos de rochas, com reduzidas porções de material detrítico, não classificáveis como solo, sendo denominadas de Afloramentos de Rochas. Destacam-se, também, alguns morros com quantidade maior de material detrítico, sendo classificados de Solos Litólicos com horizonte Achemozêmico, textura média fase pedregosa e rochosa e com argila de atividade baixa. Ocorre, ainda, na base dos morros localizados na parte sul da área, uma pequena mancha de Podzólico Vermelho-Amarelo eutrófico. O potencial erosivo é moderado a forte. Foram encontrados somente dois sítios arqueológicos, sendo um de Tradição Tupi-Guarani e outro não classificado. Predomina a Floresta Estacional Decidual Submontana com manchas de capoeira e áreas utilizadas para pasto. Ocorre uma área de transição Floresta Estacional Semidecidual Submontana/Flores,ta Estacional Decidual Submontana, próximo à Estação Ferroviária de Maria Coelho. As atividades faunísticas são reguladas por forte sazonalidade climática com ocorrência de aves de ambientes xéricos. Os solos, com exceção do Podzólico Vermelho-Amarelo, que foi classificado com aptidão restrita para lavoura, apresentam-se inaptos para o uso agrícola, devendo, portanto, ser utilizados para a preservação da flora e da fauna. Denudacional - Planície Os tufos calcários e conglomerados da Formação Xaraés apresentam-se com maior predominância nessa unidade. Secundariamente ocorrem os sedimentos da cobertura Detrítico-Laterítico Pleistocênica; calcários dolomíticos e calcíferos do Grupo Corumbá; gnaisses, granitos e quartzo-xistos do Complexo Rio Apa. Caracteriza-se por apresentar uma superfície de topografia horizontal ou com declives suaves, com a ocorrência de uma ampla diversidade de solos. Destaca-se a ocorrência de forma dispersa em toda a unidade das seguintes classes de solos: Podzólico Vermelho-Escuro eutrófico, Podzólico Vermelho-Amarelo distrófico, Brunizém Avermelhado, Brunizém, Solonetz Solodizado, Cambissolo eutrófico, Regossolo eutrófico e Vertissolo eutrófico. O potencial erosivo é muito fraco. Há existência de poços com profundidades (79,5 m) e vazões (12.293 l/h) intermediárias. Aqüíferos com salinidade de média a alta e com concentrações baixas a médias de sódio. Essa área possui a segunda maior ocorrência de sítios arqueológicos, porém foram observados todos os tipos de sítios encontrados na região, a saber: de Tradição Tupi-Guarani, com petroglifos, de Tradição Pantanal, Missão de Nossa Senhora do Bom Conselho e não classificados. Predominam áreas com pastagens cultivadas. Na porção norte, ocorrem muitas áreas de capoeira e policultura, uma grande área de Floresta Estacional Decidual de Terras Baixas, manchas de Floresta Estacional Semidecidual aluvial, próximo aos rios, e à área urbana de Corumbá - Ladário. Na porção sul, ocorre mancha de Savana Estépica + Savana Estépica Arborizada (chaco). Ocorrem ainda pequenas manchas do ecótono Floresta Estacional Decidual/Savana Estépica e uma área de transição Floresta Estacional Semidecidual/Savana Estépica. As atividades faunísticas são reguladas por forte sazonalidade climática com ocorrência de aves de ambientes xéricos. Quanto ao uso agrícola, os solos apresentam desde aptidão boa para lavouras a aptidão restrita para pastagem natural, dependendo da classe de solo em questão e de suas limitações específicas. Acumulação - Planície de Inundação Geologicamente essa unidade é caracterizada pela presença de sedimentos arenoso-síltico-argilosos e conglomeráticos semiconsolidados e inconsolidados presentes em depósitos Fluviais e Lacustres, pertencentes à Formação Pantanal. Os solos caracterizam-se por serem desenvolvidos em planícies aluvionares, áreas de várzeas, vinculadas a excesso de água. Os solos que ocorrem de forma predominante são Glei Húmico eutrófico e Glei Pouco Húmico eutrófico. Alguns Vertissolos e Solonetz Solodizado localizados próximos à planície de inundação podem também estar representados nessa unidade. Não há classe de potencial erosivo, ocorrendo somente a classe de acumulação. Com relação aos recursos hídricos, há poços mais profundos (150 m) e com vazões menores (5.500 litros/h). Foram encontrados vários sítios arqueológicos, porém todos de Tradição Pantanal. Ocorre predomínio de ecótonos. Na borda sul e próximo à Lagoa Negra ocorre predomínio do ecótono Floresta Estacional/Savana Estépica/Savana. Na margem sudoeste, ocorre um ecótono Floresta Estacional Decidual/Savana Estépica. Já na borda leste, próximo à Baía Mato Grande, ocorre uma área com pasto e uma pequena mancha do ecótono Floresta Estacional Decidual/Savana Estépica. Observou-se a ocorrência de aves paludícolas. Presença do chororó (Cercomacra melanaria). Mamíferos de ambientes palustres como o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) e aquáticos como a lontra (Lontra longicaudis). Quanto ao uso agrícola, os solos foram classificados com aptidão para pastagem natural. Unidades Ambientais Sócio-Econômicas Foram identificadas quatro Unidades Ambientais Sócio-Econômicas distintas, a saber: 1) Comércio e Serviços, nos núcleos urbanos de Corumbá e Ladário; 2) Extração Mineral (calcário, manganês, ferro e areia); 3) Policultura; e 4) Pecuária de Corte. Na Figura 31 observa-se a distribuição das unidades na área de estudo. O mapa na escala de 1:100.000 encontra-se no formato digital na Embrapa Pantanal. Não foi realizado estudo específico para a unidade Comércio e Serviços, uma vez que o objetivo do estudo está mais voltado para a área rural, mas a unidade foi incluída e as informações utilizadas são as existentes na literatura. Caracterização das Unidades Ambientais Sócio-Econômicas Comércio e serviços nos núcleos urbanos de Corumbá e Ladário Essa unidade refere-se às áreas urbanas das cidades de Corumbá e Ladário. Representa 1,71% ou 2.239,4 ha da área de estudo. As exportações para a Bolívia estão crescendo, atingindo mais de US$ 2 milhões/dia. Os serviços voltados para o turismo vêm se intensificando na área de estudo, embora ainda predomine o turismo recreacional esportivo (pesca). A área urbana não foi objeto de estudo desse zoneamento, embora ela represente uma unidade sócio-econômica distinta. Sugere-se que seja feito um estudo específico contemplando essa unidade.
Figura 31 - Distribuição das Unidades ambientais Sócio-Econômicas na área de estudos Extração mineral (calcário, manganês, ferro e areia) Refere-se às áreas destinadas a extração de ferro, manganês, calcário e areia. Parte do manganês é extraída por meio de minas subterrâneas. Na área estudada localiza-se uma das maiores jazidas de manganês do mundo, estimada em 30 milhões de toneladas de origem sedimentar. A principal atividade industrial é a extração mineral, realizada por empresas especializa das na extração e no beneficiamento de uma ou duas matérias primas. Das 13 empresas localizadas na região, sete são genuinamente municipais, com as matrizes em Corumbá ou Ladário. As outras três empresas fazem parte de grupos ou consórcio de' empresas, com a matriz ou as filiais em outros estados. Dada a capacidade instalada atual da indústria, existe um potencial de aumento da produção total de 25% na extração de ferro, 20% na de manganês, 28% na de argila (tijolos) e 35% na de areia. Para 1998, três empresas têm aumentos planejados de produção: manganês (em 85%), areia (em 100%) e argila (em 50%).Essa unidade representa 0,21% ou 275,7 ha da área de estudo. Policultura A policultura é desenvolvida em pequenas propriedades da região, localizada nos seis assentamentos implantados pelo Incra, identificados a seguir:
Principais culturas da safra 1997 - Algodão, feijão, mandioca, milho e frutas (manga, laranja, abacate e limão);
Principais culturas da safra 1997 - Feijão, mandioca, milho e frutas (manga, laranja e limão);
Principais culturas da safra 1997 - Algodão, feijão, mandioca, milho e frutas;
Principais culturas da safra 1997 - Algodão, feijão, mandioca, milho, arroz, frutas (manga, limão, melancia, banana, goiaba e mamão) e hortaliças (alface, abóbora e maxixe);
Principais culturas da safra 1997 - Feijão, mandioca, milho e hortaliças;
Principais culturas da safra 1997 - Feijão, mandioca, milho, frutas (maracujá) e hortaliças (abóbora). A policultura implantada representa 5,1 % ou 6.688,9 ha da área de estudo. Essa agricultura com baixos níveis tecnológicos, restrita aos assentamentos, ressente-se da falta de estrutura geral, tanto para produção quanto para comercialização. Considerando as condições climáticas locais (quente e seco), a falta de água ou a irregularidade no abastecimento parece ser o principal fator para o incremento da produção agrícola. Infra-estrutura para transporte (escoamento da produção) e energia elétrica (armazenamento e beneficiamento) também são condições necessárias para melhoria do processo de produção. Uma melhor organização dos produtores - como grupos de pressão política ou para organização interna - pode contribuir para auxiliar na solução desses problemas. Os principais problemas para a comercialização dos produtos agrícolas nos assentamentos são o escoamento da produção, a inexistência de mercado para absorver a produção e os baixos preços pagos pelos produtos. A escassez de água atinge diretamente a produção e a qualidade de vida das pessoas. Não há coleta de lixo e as condições de saneamento básico são precárias. O analfabetismo gira em tomo de 13%, e em 22% das famílias entrevistadas detectaram-se crianças em idade escolar fora da escola. A utilização de mão-de-obra familiar e infantil é comum. Pecuária de corte A pecuária é desenvolvida de forma limitada, tanto a pecuária de corte quanto a leiteira. Na área dos assentamentos é mesmo insignificante, inclusive com relação à criação de outros animais, basicamente utilizados para consumo. As fazendas empregam baixo nível de tecnologia em geral. O manejo pecuário (critérios de descarte, aquisição, estação de monta) é deficiente. A utilização de mão-de-obra especializada (técnicos) é incipiente. As condições de trabalho na área rural são precárias, com baixa remuneração. A atividade pecuária utiliza pouca mão-de-obra, embora 95% das propriedades utilizem mão-de-obra temporária. Em geral, há uma utilização ineficiente da terra, com as grandes propriedades (concentradas na pecuária de corte) subutilizando a terra. A utilização mais eficiente de áreas férteis (para agricultura) e a adoção de técnicas e sistemas de produção mais modernos poderão contribuir para o desenvolvimento econômico. Mudanças na estrutura de posse da terra também poderão contribuir para uma utilização mais eficiente das áreas produtivas, com atividades mais rentáveis. Por outro lado, as pequenas propriedades (pecuária de corte) enfrentam problemas de escala que dificultam a redução dos custos de produção. A raça do gado predominante é a Nelore. A principal atividade é a cria, seguida de engorda, recria e leite, com a separação do rebanho por categoria. Todas as propriedades rurais, fora dos assentamentos, possuem pastagens cultivadas, destacando-se colonião, braquiária e tanzânia. A taxa de lotação varia de 1 a 5 cab./ha. A maioria das propriedades vermifuga e vacina o rebanho bovino contra febre aftosa. Conclusões e Recomendações A utilização das informações geradas pelos estudos geológicos e geomorfológicos (processos denudacionais e morfoesculturais) permitiu identificar seis unidades ambientais naturais. A compartimentarão em Planaltos Residuais e Pantanais identificou claramente as áreas que sofrem processos denudacionais e processos de acumulação. A análise da distribuição espacial das atividades produtivas da área de estudo permitiu identificar quatro Unidades Ambientais Sócio-Econômicas distintas: 1) Comércio e Serviços, nos núcleos urbanos de Corumbá e Ladário; 2) Extração Mineral (calcário, manganês, ferro e areia); 3) Policultura; e 4) Pecuária de Corte, levando em consideração principalmente as características de apropriação da terra e de seu uso atual. Referências Bibliográficas PLANO DE CONSERVAÇÃO DA BACIA 00 ALTO PARAGUAI (PCBAP), Programa Nacional do Meio Ambiente. Metodologia do Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai. Brasília, PNMA, 1997. v.1, 76p. ROSS, J.L.S. Geomorfologia: ambiente e planejamento. São Paulo: Contexto, 1991. 85p. (Coleção Pensando a Geografia). |
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