Sócio-Economia


                                       André Steffens Moraes, oceanólogo, M.Sc., Embrapa Pantanal

João dos Santos Vila da Silva, matemático, M.Sc., Embrapa Pantanal

Nelson de Almeida Júnior, geógrafo, esp., bolsista RHAE/

               Conselho Nacional de Pesquisa Tecnológica - CNPq

     

    

Introdução 

Muito da importância de qualquer estudo sócio-econômico está em poder oferecer alternativas para formulação de políticas de planejamento do desenvol­vimento, a partir de diagnósticos realizados. O diagnóstico fornece uma visão ampla, mesmo que às vezes incompleta, das atividades produtivas e das condi­ções de vida da população, sendo informação valiosa para todos aqueles interes­sados nas questões de desenvolvimento de uma dada área de estudo.

O levantamento de informações sócio-econômicas (disponibilidade e uso de recursos, relações sociais de produção, indicadores sociais, tecnologias adotadas na produção, etc.), ao nível das unidades produtivas, é de utilidade para qualquer processo que vise, de algum modo, elevar a qualidade de vida dos produtores. As descrições relativamente detalhadas apresentadas neste capítulo, sobre a realidade sócio-econômica da região em estudo, podem contribuir para o processo de elaboração do zoneamento ambiental, facilitando e tor­nando mais seguras as recomendações para a formulação de políticas de desen­volvimento.

Metodologia 

As informações sobre a sócio-economia foram obtidas mediante a aplicação de questionários nos estabelecimentos rurais, nos projetos de assentamentos rurais e nas indústrias da região. Essas informações foram complementadas utili­zando-se as informações de PCBAP (1997) e de Seidl & Moraes (1997).

Foram aplicados questionários em todas as indústrias localizadas na área de estudo, que utilizam como matéria-prima os minerais extraídos da região (manganês, ferro, calcário, areia e argila), num total de dez. Para os estabelecimentos rurais e os projetos de assentamentos, foram aplicados questionários numa amostra aleatória da população, totalizando, respectivamente, 25 e 154 questio­nários. 

A seguir, são relatados e discutidos os principais aspectos econômicos (es­trutura fundiária, pecuária, agricultura, indústria, comércio, turismo e arrecada­ção de impostos), de infra-estrutura (energia elétrica, saneamento básico, trans­porte e comunicações), e nível de vida (educação, trabalho, saúde, habitação e lazer), na área em estudo.

 

Resultados e Discussão

 Aspectos econômicos

 Estrutura fundiária 

Os quatro assentamentos implantados até 1995 (Tamarineiro, Taquaral, Mato Grande e Urucum), com 665 lotes (um por família), têm uma área de 17.053 ha, correspondendo a 13% da área de estudo. Em 1997, foram implantados mais 500 lotes em dois assentamentos (Tamarineiro 11 e Paiolzinho), representando um acréscimo na área assentada de 11.532 ha ou 69% em relação à área de 1995. As­sim, a área total destinada aos pequenos agricultores (28.885 ha) representa atu­almente 22% da área de estudo. O número de lotes no período aumentou em 75%, passando para 1.165 lotes; a área média permaneceu a mesma: 25 ha. A área plantada em 1995 (6.689 ha), obtida por imagem de satélite, representou 5,1 % da área de estudo e 39% da área destinada aos pequenos agricultores. A Tabela 32 apresenta informações sobre a estrutura fundiária desses assentamentos.

Tabela 32. Estrutura fundiária dos assentamentos de Corumbá.

 

Assentamento

Área total (ha)

Número de

Área média por

Porcentagem da

Tamanho da

lotes

lote (h a)

área total

amostra

Paiolzinho

1.197

72

17

4

8

Mato Grande

1.264

50

25

4

8

Urucum

1.962

87

23

7

12

Tamarineiro

3.812

134

28

13

27

Taquaral

10.014

394

25

35

48

Tamarineiro II

10.636

428

25

37

51

Total

28.885

1.165

25

100

154

          Quase 4% dos proprietários nos assentamentos compraram a terra de assentados anteriores, e 2% a obtiveram por herança ou doação, indicando que a terra tem permanecido de posse dos assentados originais.A amostra dos demais estabelecimentos da área de estudo (não localizadas nos assentamentos) incluiu 25 estabelecimentos, dos quais dois sem informação sobre a área (a julgar pelo efetivo do rebanho bovino, esses dois estabelecimentos estão no estrato inferior de tamanho). A área total amostrada foi de 34.932 ha. A área média da amostra dos 23 estabelecimentos foi de 1.519 ha (d.p. = 2.090), com mediana de 511 ha. Três estabelecimentos têm menos de 100 ha (o menor com 6 ha), dez estabelecimentos, entre 100 ha e menos de 1.000 ha e dez entre 1.000 ha e menos de 10.000 ha (o maior com 9.400 ha). Ou seja, dos 23 estabelecimentos amostrados, 56,5% (13 estabelecimentos) têm menos de 1.000 ha. Os estabeleci­mentos concentram-se nos grupos de área total entre 200 ha e menos de 500 ha (seis propriedades) e entre 2.000 ha e menos de 5.000 ha (seis propriedades). Oi­tenta por cento dos estabelecimentos localizam-se no município de Corumbá e estão distantes da cidade cerca de 45 km, em média.

Obteve-se informação sobre área relativa de planalto e pantanal para 20 dos 25 estabelecimentos da amostra. Desses 20 estabelecimentos, 45% possuem toda sua área no planalto e os demais possuem área tanto no planalto quanto no pan­tanal. Um único estabelecimento responde por cerca de 51 % do total de 12.589 ha de área no pantanal. Da área total de 34.932 ha, cerca de 63% (22.153 ha) é de área no planalto.

Cerca de 80% da terra foram obtidos por compra, e o restante, por herança. A condição de posse da terra de mais de 95% dos respondentes é a de proprietá­rio. A maioria (84%) não reside nos estabelecimentos; a freqüência de visitas foi em média de 120 por ano (d.p = 116), com moda de 48 e mediana de 60 visitas. Exceto por quatro estabelecimentos de aquisição recente (até três anos), o restan­te está de posse do atual proprietário há pelo menos 12 anos, com média de 23 anos (d.p. = 15) e moda de 15 anos. O proprietário mais antigo possui o estabele­cimento há 52 anos. 

Pecuária 

A atividade pecuária é desenvolvida de forma limitada, tanto a pecuária de corte quanto a leiteira. A área de estudo possui um matadouro-frigorífico, com capacidade de abate de 80 cabeças/dia, que atende apenas ao mercado local (PCBAP,1997). 

A pecuária de corte é pouco expressiva nos assentamentos: do total de 154 estabelecimentos amostrados, apenas 12 (8%) possuem gado de corte. O efetivo total do rebanho, de 153 cabeças, está concentrado no Tamarineiro, com 87% do total de animais; mesmo assim, em somente oito dos 27 estabelecimentos amostra dos nesse assentamento (Tabela 33). No Paiolzinho e no Mato Grande não há gado de corte. Somente quatro estabelecimentos, de dois assentamentos, comercializaram gado de corte, cerca de 27% do efetivo total, e desses, mais de 85% pelo Tamarineiro.

A pecuária de leite está presente em todos os assentamentos, em 62% dos estabelecimentos amostra dos, com um efetivo total de cerca de mil cabeças O. Houve comércio de animais de leite em quatro dos seis assentamentos: cerca de 14% do total de animais, comercializados por 17% dos estabelecimentos. Os as­sentamentos produzem diariamente quase 1.500 litros de leite, dos quais 63% são comercializados. Taquaral, Tamarineiro e Urucum produzem quase 85% do total e comercializam mais de 96% de todo o leite comercializado. A produtivi­dade média varia entre 0,85 litro/cab./dia e 2,1litros/cab./dia, ficando, para o total dos assentamentos, em tomo de 1,5litro/cab./dia, inferior à (já baixa) mé­dia nacional (de pouco mais de 2litros/cab./dia). 

Tabela 33. Pecuária nos assentamentos de Corumbá - grandes animais, 1997.

Especificação

Paiolzinho

Mato Grande

Urucum

Tamarineiro

Taquaral

Tamarmeiro II

Total

Pecuária de corte

 

 

 

 

 

 

 

lotes cJ animais

0

0

1

8

2

1

12

N° de animais

0

0

4

133

10

6

153

Animais vendidos

0

0

0

36

0

6

42

lotes com venda

0

0

0

3

0

1

4

Pecuária de leite

 

 

 

 

 

 

 

lotes cJ animais

5

8

10

22

37

13

95

N° de animais

20

93

204

201

427

56

1.001

Animais vendidos

0

6

71

0

55

6

138

lotes com venda

0

2

4

0

9

1

16

leite produzido

17

92

251

369

648

118

1.495

leite vendido

11

6

191

272

449

15

944

lotes cJ venda, de leite

1

1

8

8

25

1

44

Eqüinos

 

 

 

 

 

 

 

lotes cJ animais

0

3

3

11

13

8

38

N° de animais

0

4

3

41

24

9

81

Animais vendidos

0

0

0

0

0

0

0

lotes com venda

0

0

0

0

0

0

0

Animais de trabalho

 

 

 

 

 

 

 

lotes cJ animais

3

6

4

10

19

6

48

N° de animais

8

12

8

21

48

10

107

Animais vendidos

0

0

0

0

5

0

5

lotes com venda

0

0

0

0

1

0

1

Total da amostra

8

8

12

27

48

51

154

Total de lotes

72

50

87

134

394

428

1.165

Nota: lotes com venda = número de lotes que venderam animais; leite produzido = litros/dia; leite vendido = litros/dia.

 

Com relação aos pequenos animais (Tabela 34), a produção é basicamente para o consumo: ao redor de 5% das galinhas são comercializadas, e menos de 10% dos porcos; outros animais não são comercializados. Esse comércio é reali­zado, grosso modo, por cerca de 10% dos estabelecimentos.

Parece evidente que incrementos na produtividade da pecuária de leite podem contribuir para uma melhoria no nível de vida dos assentados: existem animais de leite em todos os assentamentos e na maioria dos estabelecimentos e cerca de 90% produzem somente para consumo próprio (embora a maior parte do leite produzido seja comercializado). Incentivar a criação e, principalmente, a comercialização de pequenos animais (aves, porcos) também pode contribuir para esse objetivo. A pecuária de corte não parece ser atividade viável na maioria dos assentamentos.

A pecuária é praticamente a única atividade nos estabelecimentos não loca­lizados nos assentamentos; somente quatro estabelecimentos têm área de lavou­ra (84 ha), menos de 0,01 % da área total. O total de área útil para produção foi de 20.094 ha, cerca de 57% da área total.

A raça de gado predominante é a Nelore (64% dos estabelecimentos), mas em 20% dos estabelecimentos o Nelore está ausente (Holandesa e Girolanda). Um estabelecimento possui gado Tucura. 

Tabela 34. Pecuária nos assentamentos de Corumbá - pequenos animais, 1997.

Especificação

Paiolzinho

Mato

Urucum

Tamarineiro

Taquaral

Tamari-

Total

Grande

neiro II

Galinhas

 

 

 

 

 

 

 

Lotes c/ animais

5

7

9

22

42

34

119

N° de animais

123

325

340

1.291

1.703

1.491

5.273

Animais vendidos

0

3

30

135

40

80

288

Lotes com venda

0

1

1

4

2

4

12

Outras aves

 

 

 

 

 

 

 

Lotes c/ animais

0

2

3

5

8

9

27

N° de animais

0

30

16

82

57

69

254

Animais vendidos

0

0

0

0

0

1

1

Lotes com venda

0

0

0

0

0

1

1

Porcos

 

 

 

 

 

 

 

Lotes c/ animais

2

7

3

10

25

13

60

N° de animais

9

50

8

88

125

61

341

Animais vendidos

0

0

0

0

20

13

33

Lotes com venda

0

0

0

0

4

3

7

Outros animais

 

 

 

 

 

 

 

Lotes c/ animais

1

0

1

3

6

0

11

N° de animais

7

0

11

103

36

0

157

Animais vendidos

0

0

0

0

0

0

0

Lotes com venda

0

0

0

0

0

0

0

Total da amostra

8

8

12

27

48

51

154

Total de lotes

72

50

87

134

394

428

1.165

Nota: Lotes com venda = número de lotes que venderam animais; outras aves = em geral, patos e gansos.

 

Seis dos 25 estabelecimentos concentram sua atividade na fase de cria, qua­tro na fase de cria e recria, dois na cria, recria e engorda e cinco produzem exclu­sivamente leite. Exceto por um estabelecimento, todos os demais também pro­duzem leite. No total, a cria (com ou sem outra fase produtiva) é realizada em 15 propriedades (60%), a recria em sete (28%) e a engorda em dez (40%).

, O rebanho é separado em categorias em 15 (60%) dos 25 estabelecimentos; para efeitos de manejo, as categorias são, em 60% (9) desses estabelecimentos, de cria, recria, engorda e leiteiro.

O total do efetivo do rebanho foi de 12.629 cabeças, mais 576 cabeças de rebanho leiteiro e 416 eqüinos. A composição percentual do rebanho é apresenta­da na Tabela 35.

O número médio de animais nos estabelecimentos pequenos foi de 29, exclusive animais de leite e eqüinos; nos estabelecimentos de tamanho interme­diário, a média foi de 202 animais, e nos de maior tamanho, de 1.108 animais. 

A área total de pastagem cultivada (23 propriedades) foi de 11.910 ha, com média de quase 518 ha (d.p. = 614) e moda de 300 ha (área mínima de 6 ha e máxima de 2.500 ha). Essa área representa cerca de 34% da área total amostrada (34.932 ha). Todos os estabelecimentos possuem pastagem cultivada. As pasta­gens predominantes são: colonião (5.974 ha), braquiárias (3.562 ha, dos quais 364 ha de brizantão), tanzânia (1.100 ha), e estrela (120 ha), num total de 10.756 ha, ou 90% do total (outras pastagens cultivadas são napier, pangola e castelo). A maio­ria dos estabelecimentos (16) possui duas espécies de pasto cultivado, seis esta­belecimentos têm três espécies e um tem quatro. O colonião foi implantado há pelo menos 35 anos; napier, estrela e pangola, há cerca de 30 anos; as braquiárias, há pelo menos 15 anos (dez anos para a brizanta); castelo, dez anos; e tanzânia, há cinco anos. Cerca de 64% das pastagens cultivadas têm indícios de degradação por plantas invasoras. As principais plantas invasoras são o assa-peixe (44% das respostas afirmativas) e aromita (16%). As pastagens são utilizadas pela maioria (77%) o ano todo. Pouco mais da metade (57%) utiliza as pastagens para todas as categorias animais, cerca de 8,5% somente para animais de leite, e4% para vacas de cria. A lotação mínima e máxima utilizada nessas pastagens é de 1 e 5 cab./ha, respectivamente. Lotação acima de 3 cab./ha é empregada em 18% dos estabele­cimentos; 2 cab./ha em 33%, e 1 cab./ha em 41 % deles, na estação seca. Na esta­ção de cheia, cerca de 39% dos estabelecimentos utilizam lotação de 3 cab./ha, 23% lotação de 1 cabo lha e 2 cab lha, e 15%, lotação de 5 cabo lha. Lotação diferen­ciada entre seca e cheia é empregada em 25% dos estabelecimentos. 

 

Os métodos de limpeza de pastagem mais utilizados são: veda (30%),lim­peza manual (2_%) e mecânica (21 %), controle de invasoras e pragas (9%) e quei­mada e reforma parcial (5% cada).

Cerca de 74% dos estabelecimentos trabalham o gado uma ou duas vezes por ano (35% e 39%, respectivamente), e 10% trabalham o gado três e quatro vezes ao ano. 

Cinco estabelecimentos (23%) não têm critérios definidos para descarte de vacas; 55% fazem descarte por idade e 32% por improdutividade. Os touros são descartados sem critérios definidos em 32% dos estabelecimentos e por idade em 84% dos estabelecimentos. Cerca de 27% dos estabelecimentos não têm crité­rios definidos para aquisição de touros. Setenta e oito por cento não possuem estação de monta e 22% têm estação de monta de quatro meses, iniciando no começo da primavera (set./out.). Quarenta por cento dos estabelecimentos sem estação de monta estão no estrato médio, e 40% no estrato grande.

Aproximadamente 33% não têm um manejo específico para o bezerro. Dos 67% restantes, 93% curam o umbigo e 29% vermifugam ou vacinam. Problemas relacionados à cura do umbigo foram citados por 16% dos respondentes como causa mais comum de morte de bezerros. O maior número de nascimento de bezerros ocorre entre outubro e novembro. A desmama de bezerros é feita por 67% das propriedades, a maioria entre oito e dez meses.

Todos vacinam contra aftosa, em geral (77%) uma vez por ano. A maioria (70%) vermifuga todos os animais, e dois estabelecimentos (8%) não vermifugam. Dos que vermifugam, 40% o fazem uma vez por ano, 30%, duas vezes por ano, e 20%, quatro vezes por ano. Todos fornecem sal ao rebanho, 25%, só sal comum, 42%, só sal mineral e 33% fornecem o sal com mistura (desses, 50% na mesma proporção). O sal é fornecido a todos os animais indistintamente, à vontade em 83% dos casos; 13% não têm freqüência definida e 4% fornecem só na seca. 

A quantidade de sal comum fornecida por ano ao rebanho foi de 1.068 sacos e de sal mineral, 3.923 sacos, um total de 4.991 sacos de 25 kg. Os pequenos estabelecimentos foram responsáveis por 3,1 % do total de sal fornecido ao reba­nho, os estabelecimentos médios por 15,4%, e os maiores por 81,5% (do total de 4.975 sacos; dois estabelecimentos desconsiderados por não fornecerem a área total). O sal mineral representou 52% do total de sal nos pequenos estabeleci­mentos, 85% nos médios e 79% nos grandes.

Os indicadores produtivos de rebanho, por tamanho de estabelecimento e para o total dos estabelecimentos, são apresentados na Tabela 36. 

Tabela 36. Indicadores produtivos do rebanho bovino dos estabelecimentos da região

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Área em ha

 

Indicadores produtivos

 

Total

 

 

 

 

 

10-100

100-1.000

1.000-10.000

Natalidade (%)

m

73,3

32,0

84,2

75,3

 

s

22,7

39,6

11 ,1

15,4

 

n

17

2

6

9

Mortalidade bezerro (%)

m

9,4

10,0

7,0

10,7

 

s

9,1

O

4,1

11,5

 

n

15

1

5

9

Mortalidade adulto (%)

m

4,7

5,3

3,4

5,2

 

s

3,2

2,5

1,9

3,9

 

n

17

3

5

9

Desmama (%)

m

90,3

100,0

100,0

83,9

 

s

15,9

O

O

18,0

 

n

15

1

5

9

Idade média 1 a cria (meses)

m

36,2

33,0

37,7

35,8

 

s

6,7

12,7

11,3

4,7

 

n

19

2

7

10

Vida útil vaca (anos)

m

11,9

12,0

14,3

10,0

 

s

3,9

4,0

3,6

3,2

 

n

19

3

7

9

Vida útil touro (anos)

m

9,7

7,0

11,6

9,2

 

s

3,5

1,0

4,4

2,6

 

n

19

3

7

9

Descarte (%)

m

20,3

15,0

26,0

18,7

 

s

19,2

O

38,2

11,7

 

n

12

1

3

8

Relação touro:vaca

m

25,2

26,7

15,5

28,7

 

s

12,3

5,8

8,4

13,6

 

n

17

3

4

10

Reposição de touros (%)

m

23,9

16,0

46,S

18,0

 

s

16,8

8,5

19,1

11,2

 

n

9

2

2

5

Total da amostra (N)

 

23

3

10

10

. m = média; s = desvio-padrão; n = número de respostas

 

 

 

          Um terço dos estabelecimentos não utiliza assistência técnica, um terço utili­za, e um terço utiliza esporadicamente. A assistência técnica é privada em 63% dos casos, da própria empresa em 19% dos casos e pública em 13%.

Observa-se, em geral, o emprego de baixo nível de tecnologia na pecuária local, que não apresenta um manejo adequado dos animais e das pastagens. Em muitos estabelecimentos não há critérios definidos para aquisição de touros e para descarte de matrizes e reprodutores (normalmente feito com base na idade); não há estação de monta; não há um manejo específico para os bezerros (em geral desmamados entre 8 e 10 meses de idade); etc. As pastagens, muitas com quase três décadas de implantação, apresentam indícios de degradação. A adoção de técnicas e sistemas de produção mais modernos poderá contribuir para o desen­volvimento da pecuária local.

 Agricultura 

A agricultura é desenvolvida quase que exclusivamente nos assentamen­tos. Nos demais estabelecimentos é praticamente inexistente: somente quatro es­tabelecimentos têm área de lavoura (84 ha), menos de 0,01% da área total. As principais culturas da safra 1997 em cada um dos assentamentos são apresenta­das na Tabela 37.

No Mato Grande, 38% dos estabelecimentos se dedicam exclusivamente à agricultura, e o restante à agricultura e à criação de animais (exceto pecuária de corte). Cerca de % já experimentaram plantar outros produtos, além das princi­pais culturas da safra de 1997. Feijão e milho são plantados por 50% ou mais dos estabelecimentos, com as maiores áreas plantadas entre as culturas. A produtivi­dade média do feijão foi de 1.200 kg/ha, a do milho de 1.000 kg/ha e a de man­dioca, 7 t/ha. A produtividade média dessas culturas nos assentamentos, segun­do informações da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul- Empaer /MS, tem sido de, respectivamente, 600 kg/ha, 1.800 kg/ha e 15 t/ha. A maioria vendeu mais de 70% da produção.

 

Tabela 37. Principais culturas da safra 1997 nos assentamentos de Corumbá.

Assentamento

Principais culturas

Paiolzinho

Feijão, mandioca, milho, frutas e algodão

Mato Grande

Feijão, mandioca, milho e hortaliças (tomate)

Urucum

Feijão, mandioca, milho, frutas (maracujá) e hortaliças (abóbora)

Tamarineiro

Feijão, mandioca, milho e frutas (manga, laranja, abacate e limão)

Taquaral

Feijão, mandioca, milho, arroz, algodão, frutas (manga, limão, melancia, banana, goiaba emamão) e hortaliças (alface, abóbora e maxixe)

Tamarineiro 11

Feijão, mandioca, milho e frutas (manga, laranja e limão)

No Paiolzinho, sete (87%) estabelecimentos se dedicam à agricultura e à pecuária (leiteira), e um somente à agricultura. Apenas três produtores produzi­ram em 1977, aqueles com mais tempo de uso da terra (mínimo de nove meses). Os demais têm menos de oito meses no assentamento.

No assentamento do Urucum, 33% dos estabelecimentos se dedicam à agri­cultura, 50% a ambas atividades, e 17% somente à criação de animais. Cerca de 42% já experimentaram plantar outros produtos, além das principais culturas da safra de 1997. Milho, feijão e mandioca são plantados por 50% ou mais dos es­tabelecimentos, com áreas de 16,5 ha, 10,5 ha, e 8,5 ha, respectivamente. A pro­dutividade média dessas três culturas foi, respectivamente, de 1.550 kg/ha, 1.482 kg/ha e 6,1 t/ha. A maioria vendeu mais de 50% do milho produzido e mais de 60% do feijão; a venda de mandioca variou entre 30% e 100% do total produzido. As frutas (maracujá) foram 100% comercializadas, e as hortaliças (abó­bora), 100% não comercializadas.

No Taquaral, somente 4% dos estabelecimentos se dedicam à agricultura, a maioria dos assentados (69%) se dedicando à agricultura e à criação de animais. Fruticultura é produzida em cinco (10%) estabelecimentos e horticultura em dois. Três estabelecimentos produziram arroz (3,8 t), não comercializado. As áreas planta­das com as demais culturas foram: 80,5 ha de algodão, quase 50 ha de feijão, 43 ha de mandioca e 21 ha de milho. Cinco estabelecimentos (10%) não produziram (não plantaram) e um perdeu toda a produção. Toda a produção de algodão foi vendida e a produtividade média foi de 60 @/ha (a média local é de 100 @/ha); a produção total de algodão foi de quase 2.180 arrobas (1@ = 15 kg). Foram pro­duzidas quase 33 t de feijão, com uma produtividade média de 510 kg/ha; quase 60% da produção não foram comercializados. Foram produzidas 70 t de man­dioca, com produtividade média de 5 t/ha; dos que realizaram venda (60%), cerca de 57% venderam praticamente toda a produção. A produtividade média do milho foi de 950 kg/ha, tendo sido colhido um total de 36 t; cerca de 67% dos produto­res não realizaram venda de milho. Quase metade dos estabelecimentos já expe­rimentou plantar outros produtos que não aqueles plantados na última safra.

No Tamarineiro, somente 11% dos estabelecimentos se dedicam exclusiva­mente à agricultura, sendo a maioria voltada para a criação de animais (52%). Cerca de 56% dos estabelecimentos plantaram 33 ha de feijão, com uma produti­vidade média de 610 kg/ha; 60% dos estabelecimentos não comercializaram a produção. Os quase 20 ha de mandioca plantados por 48% dos estabelecimentos tiveram uma produtividade média de 3,5 t/ha. Mesmo excluindo três estabeleci­mentos que perderam toda a produção, a produtividade média continua cerca de 1/3 da produtividade média de mandioca dos assentamentos (de 15 t/ha). Dois dos dez estabelecimentos que colheram não comercializaram o produto. A área plantada de milho, de 32 ha, teve uma produtividade média de 1.540 kg/ha. Cerca de 60% dos estabelecimentos plantaram milho no ano e um não produziu. Mais da metade dos estabelecimentos não comercializou o milho produzido; dos que comercializaram, em geral mais de 80% da produção foi destinada à venda. O algodão foi plantado por apenas um estabelecimento. 

A maioria dos estabelecimentos (43%) se dedica à agricultura e à criação de animais no Tamarineiro 11 e 31 % somente à agricultura. Apenas 16% dos 51 esta­belecimentos plantaram feijão e milho, e 14%, mandioca; a área plantada foi de 8 ha, 6 ha e 23 ha, respectivamente. A produtividade do milho foi baixa, e a da mandioca muito baixa (quase 30% dos estabelecimentos não colheram); o feijão ficou na média da região (600 kg/ha). Só um produtor comercializou a mandioca e menos da metade, o milho e o feijão.

Foi feito um levantamento das principais dificuldades relacionadas ao pro­cesso produtivo. Os resultados são apresentados nas Tabelas 38 e 39.

Tabela 38. Dificuldades no processo produtivo nos assentamentos de Corumbá.

Dificuldades

Mato Grande

Urucum

Paiolzinho

Taquaral

Tamarineiro

TamarineiroII

Clima

100

83

83

98

89

92

 

7

12

6

47

27

48

Instrumentos de

80

62

100

53

88

79

trabalho

5

8

7

38

24

42

Mão-de-obra

80

75

75

46

67

56

 

5

8

4

37

24

41

Pragas e doenças

100

100

75

91

82

49

 

8

11

4

43

27

37

Solo

40

37

67

66

77

32

 

5

8

6

38

26

37

Água

86

70

100

98

85

98

 

7

10

8

46

27

49

Pastagens

80

30

100

54

67

43

 

6

10

4

35

24

30

Animais silvestres

43

43

20

42

50

36

 

7

7

5

38

24

39

Transporte de

75

28

33

18

28

17

insumos

4

7

3

34

25

24

Colheita

28

14

O

38

29

9

 

7

7

2

34

24

23

Outros

O

O

O

14

15

7

 

O

3

2

21

13

14

Tamanho da amostra

8

12

8

48

27

51

Nota: O primeiro valor em cada coluna é a porcentagem de respostas "sim" referente à dificuldade no processo

produtivo; o segundo valor é o número total de respostas. Exemplo para o Mato Grande: no caso de mão-de-obra, do

total de oito estabelecimentos amostrados (última linha), cinco ofereceram alguma resposta à pergunta sobre "dificulda

des no processo produtivo com relação à mão-de-obra"; 80% dessas respostas foram positivas quanto à existência de alguma dificuldade relacionada à mão-de-obra.

 

Tabela 39. Dificuldades no processo de comercialização nos assentamentos de Corumbá. 

Dificuldades

Mato Grande

Urucum

Paiolzinho

Taquaral

Tamarinelro

Tamarinelro 11

Transporte da

20

28

100

55

27

36

produção

5

7

2

33

26

11

Armazenamento

20

14

50

36

33

42

 

5

7

2

28

24

12

Beneficiamento

75

0

0

28

33

0

 

4

5

2

32

21

12

Venda

83

67

100

72

31

20

 

6

9

2

36

26

10

Tamanho da amostra

8

12

8

48

27

51

 Nota: O primeiro valor em cada coluna é a percentagem de respostas "sim" referente à dificuldade no processo de comercialização; o segundo valor é o número total de respostas. Exemplo para o Tamarineiro 11: no caso de beneficiamento, do total de 51 estabelecimentos amostrados (última linha), 12 ofereceram alguma resposta à pergunta sobre "dificuldades no processo de comercialização com relação ao beneficiamento"; nenhuma dessas respostas foi positiva quanto à existência de alguma dificuldade relacionada ao beneficiamento.

         A agricultura, restrita aos assentamentos, ressente-se da falta de estrutura geral, tanto para produção quanto para comercialização. Considerando as condi­ções climáticas locais (geralmente quente e seco), a falta de água ou irregularida­de no abastecimento parece ser o principal fator para o incremento da produção agrícola. Infra-estrutura para transporte (escoamento da produção) e energia elé­trica (armazenamento e beneficiamento) também são condições necessárias para melhoria do processo de produção. Note-se que a área plantada nos assentamentos  foi de somente 39% da área total destinada aos assentados. Uma melhor organi­zação dos produtores - como grupos de pressão política ou para organização interna - pode contribuir para auxiliar na solução desses problemas. A produti­vidade das principais culturas em 1997 foi baixa ou muito baixa quando compa­rada com as médias regionais (exceto para o feijão em dois assentamentos).

Os principais problemas para a comercialização dos produtos agrícolas nos assentamentos são o escoamento da produção, a inexistência de mercado para absorver o volume produzido e os baixos preços pagos pelos produtos. Em ge­ral, mais da metade dos estabelecimentos não comercializou a produção agríco­la. Os produtos de origem animal dos assentamentos praticamente não são comercializados, embora a produção de aves, suínos e outros pequenos animais possa gerar um excedente comercializável.

O desenvolvimento da agricultura em áreas férteis das grandes proprieda­des do entorno de Corumbá pode ser uma alternativa para melhorar a eficiência do uso da terra nesse local.

 Indústria 

A principal atividade econômica produtiva é representada pela extração mineral, principalmente a Mineração Urucum (ferro e manganês) e a fábrica de cimento Itaú. Uma das empresas não realiza extração, apenas beneficiando a matéria-prima (ferroligas).

Das dez indústrias onde foi aplicado questionário, sete possuem sua ma­triz localizada em Corumbá, seis das quais sem filiais no estado. As outras três indústrias fazem parte de grupos ou consórcios de empresas, duas das quais com filiais em outros estados e uma com filiais no exterior. Essas empresas são especializadas em determinada matéria-prima: três trabalham exclusivamente com areia; duas somente com argila; duas apenas com ferro e manganês; uma exclusivamente com calcário; e só uma produz cimento.

O total anual da folha de pagamento dessas indústrias no município foi de quase R$ 4,3 milhões, dos quais cerca de 88% das duas maiores empresas (em termos de número de empregados). O faturamento anual da indústria no muni­cípio foi de R$ 33,66 milhões, dos quais 74% de apenas uma empresa.

A capacidade de produção de ferro é de 1.200.000 t/ ano, e a de manganês, de 420.000 t/ ano. O calcário para fabricação de cimento tem produção de 400.000 t/ ano, e a areia, de quase 5.850 m3/ ano. São ainda produzidas 48 mil t de brita, 3,6 milhões de tijolos e 20.000 t/ ano de liga de ferro, silício e manganês. A capa­cidade potencial de produção de ferro é de 1.500.000 t/ano, e a de manganês, de 500.000 t/ano, ou seja, há ainda potencial para produzir mais 300.000 t/ano de ferro e 80.000 t/ ano de manganês. Não foi obtida, entretanto, informação sobre produção atual e potencial de uma das empresas (a terceira maior em termos de número de pessoal ocupado - 16% do total), a única que beneficia ferro e manganês. O potencial de produção de tijolos pode aumentar ainda em 1,2 mi­lhão de peças/ano, e a de brita, em 24.000 t/ano. Para 1998, as empresas produ­toras de manganês planejaram um aumento de 85% na produção, as de tijolos (argila), um aumento em 50%, e as de areia, de 100%, com previsão de pelo me­nos mais 29 novos empregos (cerca de 6% do total de empregos da indústria).

No processo de produção de metade das indústrias resultam subprodutos; em 40% delas, os subprodutos são indesejáveis (não têm comércio, requerem processo próprio para deposição ou destruição, causam poluição, etc.).

Uma das empresas extratoras de argila e outra produtora de ligas de ferro e manganês estão em situação tecnológica defasada em relação a modos de produ­ção mais avançados. A condição tecnológica da produção de cimento no municí­pio é atualizada. Todas as demais empresas têm condição normal com relação a tecnologia atualmente utilizada, embora em duas delas haja necessidade de avan­ços, em particular, em termos de procedimentos e padrões de gestão e qualida­de. A qualidade dos produtos produzidos pelas empresas que produzem tijolos e cimento é excelente em relação aos congêneres existentes no mercado, e as de­mais empresas têm produtos de boa qualidade em relação aos concorrentes.

Oito das nove empresas que realizam exploração mineral têm algum tipo de controle ambiental na exploração: monitoramento e controle das condições ambientais, com ações voltadas para a recomposição da vegetação original, monitoramento da extração e beneficiamento mineral, controle de efluentes, ins­talação de filtros, etc. A fiscalização ambiental é realizada pelo Instituto Brasilei­ro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis - Ibama e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - Semades, e outros órgãos realizam fiscalização em suas respectivas áreas de atuação (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral - DNPM, Secretaria da Fazenda, Ministério do Trabalho). .

 Comércio 

A comercialização de produtos agrícolas nos assentamentos apresenta difi­culdades. Além de levantamento específico de informações sobre dificuldades para comercialização (ver seção sobre agricultura), o número de estabelecimen­tos que não comercializaram seus produtos, assim como daqueles que já experi­mentaram cultivar outros produtos que não os da safra de 1997, serve de indicativo nesse sentido. No Taqúaral, 60% dos estabelecimentos não comercializaram o feijão produzido, 67% o milho e 40% a mandioca. No Tamarineiro, 60% dos esta­belecimentos não comercializaram o feijão e mais da metade, o milho produzi­do. No Tamarineiro II só um produtor comercializou a mandioca e menos da metade, o milho e o feijão. No Mato Grande, Urucum e Paiolzinho a situação é similar, embora menos evidente. Exceto para os assentamentos do Paiolzinho e Tamarineiro lI, em todos os demais assentamentos pelo menos quase a metade dos estabelecimentos amostra dos já experimentou plantar outros produtos que não aqueles plantados na safra de 1997. Embora problemas para produzir pos­sam estar relacionados a essa decisão, parece evidente que há também proble­mas para comercialização.

O comércio de animais é pouco significativo nos assentamentos. Os ani­mais de pequeno porte são criados basicamente para consumo próprio e a pecu­ária de corte só tem significância relativa no Tamarineiro. Dos produtos e subprodutos animais, somente o leite tem comercialização relativa expressiva (cerca de 1.000 litros/dia do total de quase 1.500 litros/dia).

Nas fazendas amostradas no entorno de Corumbá foram abatidas um total de 2.563 reses em 1997 (ou 20% do efetivo do rebanho, em 56% das proprieda­des), com média de 183 animais/estabelecimento. Cerca de 65% dos animais fo­ram abatidos nos grandes estabelecimentos, e 34% nos médias. O número médio de animais abatidos nos estabelecimentos do estrato intermediário foi de 175 animais e nos grandes estabelecimentos, de 239. Cerca de 82% dos animais são vendidos para frigoríficos, transportados sempre via rodoviária. Do total de 1.717 litros de leite produzidos por dia, 1.265 litros (74%) são vendidos e 452 (26%), consumidos nos estabelecimentos. A venda e o consumo referem-se tanto ao leite in natura quanto a seus derivados (principalmente queijos). A venda (leite ou derivados) é realizada por 11 estabelecimentos (um dos quais dedica toda a pro­dução à venda), e 11 consomem o total produzido. Cinco estabelecimentos pro­duzem mais de 100 litros/dia, as maiores produções sendo de 320 e 350 litros/ dia. Os grandes estabelecimentos são responsáveis por 76% do total de leite pro­duzido, e os estabelecimentos entre 100 e 1.000 ha, por 20% (médias de 141 e 39 litros/ dia, respectivamente). A produção média de leite para todos os estabe­lecimentos foi de 78 litros/dia. Com uma exceção, todos os demais estabeleci­mentos fazem uma ordenha por dia.

Os minerais de ferro e manganês e o cimento produzidos são comercializados principalmente para fora do município (no estado, outros estados e para expor­tação) e o calcário para agricultura, basicamente para outros municípios do esta­do. Todas as empresas que produzem tijolos exportam o produto, assim como uma das produtoras de areia. O escoamento dos produtos é feito por meio de transporte fluvial, rodoviário e ferroviário, o meio fluvial sendo utilizado so­mente pelas indústrias de minério de ferro e manganês, e o ferroviário, por essas indústrias e pelas indústrias de calcário para finalidade agrícola.

Para três das empresas mineradoras não existem problemas decorrentes da localização em Corumbá; são as empresas produtoras de areia e argila. Para as demais empresas, a grande distância dos mercados consumidores e deficiências quanto à logística do transporte geram dificuldades para o adequado escoamen­to da produção, influenciando no custo final do produto. A grande distância de outros centros também gera problemas de transporte de insumos, induzindo a necessidades de estocagem, que também tem reflexos no custo final do produto.

 

Turismo 

Na área urbana de Corumbá e Ladário, a presença do turismo pesqueiro e contemplativo contribui para o desenvolvimento de atividades que buscam sa­tisfazer a demanda dos turistas, como é o caso do artesanato, que na cidade per­de seu caráter de bem de uso para tomar-se uma mercadoria. De outro lado, as festividades tradicionais, como é o caso da Festa de São João, ganham um con­teúdo novo, buscando seduzir um público maior por intermédio de apelos mais contemporâneos, como sons eletrônicos, duplas sertanejas etc. O turismo, por seu lado, tem servido para estimular o aparecimento de outras festividades como é o caso da Festa do Peixe, cujo objetivo é atrair visitantes para a cidade e incrementar o comércio e a economia locais (PCBAP, 1997).

No Pantanal, em torno da área estudada, ocorre predominantemente o tu­rismo recreacional esportivo (pesca), que tem seus reflexos nas áreas urbanas de Corumbá e Ladário, dado que esses turistas visitam as cidades. Segundo PCBAP (1997), o turismo da pesca realiza-se em áreas localizadas às margens dos rios Paraguai e Miranda e ao longo de trechos destes, tendo como suporte pequenas embarcações, barcos-hotéis, hotéis-pesqueiros, campings e ranchos de pesca. As áreas mais procuradas no Rio Paraguai são trechos próximos à cidade de Corumbá, Porto da Manga, Baía de Albuquerque, foz dos rios Abobral e Miranda, Morrinhos e Porto Esperança. No Rio Miranda a área de pesca está centrada no Passo do Lontra.

Em levantamento realizado nos municípios de Corumbá e Miranda, no Pan­tanal de Mato Grosso do Sul, visando traçar um perfil do pescador esportivo, Moraes e Seidl (1988) concluíram que a pesca esportiva nessa região é realizada por homens de meia-idade, casados e com educação formal e situação econômi­ca superior em relação ao que é típico no Brasil corno um todo. Em média, os respondentes já visitaram a região quatro vezes. Realizam viagens de 2.700 km, permanecendo seis dias, gastando US$ 970 e capturando 25 kg de peixes cada um, por viagem, em média. A principal razão para o pescador esportivo visitar o Pantanal sul é o ambiente natural único e não a pesca, informação que tem rele­vância para o desenvolvimento do turismo regional. Mudanças na estratégia de marketing do turismo local podem ter importantes reflexos na economia. A es­trutura existente para a pesca esportiva permanece ociosa durante os três meses em que a pesca é proibida (período da piracema), justamente na época de férias escolares e festas de fim de ano, provavelmente a época mais propícia para o turismo no Brasil. Já que o fator motivador principal para visitar o Pantanal, mesmo para os pescadores esportivos, não é capturar peixes, e sim contemplar a nature­za, existe um nicho de mercado - turismo de contemplação da natureza - que deve ser aproveitado, particularmente fora da estação de pesca e utilizando a estrutura (então ociosa) do turismo pesqueiro. 

Arrecadação de impostos 

O total de impostos anuais pagos pelas empresas mineradoras foi de quase R$ 4,2 milhões, 88% pagos pelas duas maiores empresas (em termos de número de empregados). Esses impostos incluem ICMS (59.9%), IPI (6,7%), INSS (23,9%), e outros (9,5%). Somente duas empresas pagam IPI. Nenhuma das empresas res­pondeu positivamente com relação à existência de incentivos do governo para a produção dos produtos específicos de cada urna, exceto a isenção do ICMS no caso de exportações. As duas maiores empresas mineradoras são responsáveis por mais de 90% do ICMS arrecadado.

 

Infra-estrutura 

A infra-estrutura econômica está representada pela BR-262 (asfaltada), RFFSA, energia elétrica de rede, aeroporto asfaltado e hidrovia do Rio Paraguai.

 

Energia elétrica 

Na área urbana há necessidade de ampliação da rede de energia elétrica (tanto para fins domésticos corno para fins industriais), mas é na área rural que há maiores deficiências. As propriedades dos assentamentos Paiolzinho, Tamarineiro, Tamarineiro 11 e Taquaral não possuem energia elétrica. No Mato Grande, todas as propriedades possuem energia elétrica, e no Urucum, 83% de­las. Em todos os casos, a energia elétrica é de rede pública. Cerca de 83% das fazendas do entorno de Corumbá possuem energia elétrica, sendo 90% de ori­gem pública e 10% própria.

 

Saneamento básico 

Segundo PCBAP (1997), o abastecimento de água apresentava, em 1994, os seguintes índices: três índices bons (cobertura de 97,79% da população urbana, volume de água produzida de 295,87litros/hab./ dia e nível de hidrometragem de 77,63%); um índice razoável de consumo de água (118,99 litros/hab./dia); e um índice crítico de perda de água (59,81%). Esses índices são piores que os de 1990, quando o abastecimento de água apresentou quatro índices bons (cobertu­ra de 92,67%, volume de água produzida de 284,17 litros/hab./dia, índice de hidrometragem de 89,33% e média de consumo diário de 157,97litro/hab./ dia) e um crítico (índice de perda de água de 43,44%). Por tudo isso, o abastecimento de água é considerado razoável, com tendência a piorar.

Nos assentamentos, a falta de água (ou problemas relacionados à água, como irregularidade no fornecimento, distância dos locais de abastecimento, etc.) é um dos principais problemas. No Paiolzinho, todas as propriedades responderam que têm problemas de falta de água, e no Tamarineiro 11 e Taquaral, 98%; no Tamarineiro e no Mato Grande, 85%; e no Urucum, 70%. Adicionalmente, em muitos casos a fonte de água (quando é de poço comum ou semi-artesiano, por exemplo) é salobra (principalmente no Tamarineiro 11 e Taquaral), e, salvo raras exceções, a água não é tratada nem filtrada pelos assentados.

Em relação ao esgoto doméstico, a situação é caracterizada como crítica, em conseqüência do uso das galerias de águas pluviais e do Rio Paraguai para cole­ta e destino final do esgoto na cidade de Corumbá. Nos assentamentos, as condi­ções são ainda piores: no Paiolzinho e no Tamarineiro lI, a maioria não possui banheiro de qualquer tipo (50% e 60%, respectivamente); no Tamarineiro, 44%, no Mato Grande e Taquaral, cerca de 30%, e no Urucum, 25%.

Ainda que exista coleta pública nas duas cidades, o destino final do lixo doméstico é a céu aberto (lixão). O lixo hospitalar é incinerado no local de pro­dução, a unidade de saúde em Corumbá. Nos assentamentos não há coleta de lixo, sendo o mesmo queimado pela grande maioria ou deixado a céu aberto.

 

Transportes 

Corumbá, embora não desempenhe uma função de cidade regional dentro do Estado de Mato Grosso do Sul, pode assim ser considerada em razão de sua intensa ligação com o Sudeste (São Paulo) e com as cidades bolivianas de Quijarro e Puerto Soares (Bolívia). Segundo PCBAP (1997), tanto Corumbá quanto Ladário compreendem, ainda que embrionariamente, um complexo intermodal (rio-es­trada de ferro-BR262), ainda de baixo dinamismo econômico e social. Todavia, o crescente movimento de mercadorias exportadas para a Bolívia, bem como in­tensificação das atividades turísticas, tendem a incrementar esse dinamismo. 

o acesso aos assentamentos é feito por estrada de terra e há linha de ônibus regular para todos, embora nem sempre alcançando todas as propriedades. O acesso para as fazendas é feito por estrada de terra (72%) e por estrada asfaltada (28%), e 23% das propriedades são servidas por linha regular de ônibus.

Segundo a indústria mineradora, existem deficiências quanto aos sistemas de transporte, que geram dificuldades para o adequado escoamento da produ­ção e aquisição de insumos, com reflexos no custo do produto final. 

Comunicações 

Existe posto telefônico em dois dos seis assentamentos (Tamarineiro e Taquaral). Os assentados, entretanto, não possuem telefone. O veículo de comu­nicação mais utilizado para conhecimento das notícias do dia-a-dia é o rádio (mais de 80% possuem pelo menos um rádio), pois somente cerca de 27% das famílias possuem aparelhos de Tv.

Somente cinco (25%) propriedades fora da área dos assentamentos possuem telefone rural (1) e rádio rural (4). 

Outros 

A maioria dos proprietários (78%) das fazendas do entorno de Corumbá possui ou utiliza outras fazendas. Entretanto, 83% não arrendam terras, e dos que arrendam, 75% o fazem para terceiros (em contraposição ao arrendamento de terceiros). A maioria (58%) também não arrenda pasto e dos que arrendam, 40% arrendam para terceiros. Cerca de 64% das propriedades possuem pelo menos um trator e 81% até três tratores. A média foi de 1,6 trator/propriedade, com moda e mediana de dois tratores. O número máximo de tratores em uma propri­edade foi de cinco. Assim, a maioria (71%) não aluga máquinas, e dos que alu­gam, 29% alugam para terceiros. Nenhuma propriedade possui avião.

 

Nível de vida 

Dinâmica demográfica 

A taxa de urbanização é muito elevada em Corumbá (86,7% em 1991) e, acrescentada a Ladário, atinge cerca de 90%. No que diz respeito à estrutura da população, houve um certo envelhecimento no período de 1970 a 1991: os jo­vens, de mais de 55% da população em 1970, reduzem-se para 47% em 1991, e os idosos, que em 1970 estavam quantitativamente abaixo da média, em 1991 situ­am-se acima da média. Nesse período a proporção de crianças também reduziu­se, de 15% para 12%, indicando queda na fecundidade. 

O total de pessoas residentes nos 154 estabelecimentos amostra das nos assen­tamentos foi de 783 pessoas, ou 5,1 pessoas por lote. Extrapolando essa média para o total de lotes, estima-se que vivam hoje nos assentamentos cerca de 5.950 pessoas. 

Educação 

A rede urbana apresenta taxas em queda de evasão e repetência escolares no ensino de 1° grau. As taxas de analfabetismo caíram muito entre 1980 e 1990, apresentando um percentual baixo. Deve-se considerar que a rede escolar urba­na é atendida diretamente pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ­UFMS e seus cursos de magistério, o que se traduz, também, numa excelência de qualificação docente: 96/7% de professores formados (PCBAP, 1997).

O índice de analfabetismo dos proprietários variou entre 12% no Paiolzinho e 54% no Urucum. Cerca de 26% dos proprietários e 31% de suas esposas são analfabetos; sendo que 47% deles possuem primário (ou primeiro grau) incom­pleto. O percentual total de analfabetos, considerando a família nuclear, está ao redor de 13%. Na amostragem houve 67 crianças em idade escolar fora da escola, em 34 famílias (22%)/ embora existam escolas em todos os assentamentos.

Quanto aos aspectos culturais, a presença do Rio Paraguai e afluentes exer­ce forte influência nos padrões sócio-culturais da população. Ainda que a pecu­ária imponha seus hábitos, gostos e exerça influência do ponto de vista econômi­co/ tanto no ambiente rural como urbano, é possível detectar o papel dos rios na determinação dos hábitos alimentares, do lazer e até nas tradições religiosas e festivas da população local- como a Festa de Iemanjá. (PCBAP, 1997). 

Trabalho 

Nas áreas urbanas, o mercado de trabalho concentra-se nas atividades terciárias (comércio de mercadorias e prestação de serviços), com grande partici­pação da força de trabalho feminina. A atividade industrial restringe-se à extra­ção e beneficiamento mineral, com condições de trabalho precárias e inadequa­das, resultado, entre outros/ da falta de equipamentos de segurança e reduzidos salários (PCBAP, 1997). Não obstante, metade das empresas de exploração mine­ral oferece assistência médica aos funcionários e 40% realizam càmpanhas inter­nas regulares de esclarecimento com relação a acidentes de trabalho, drogas, ál­cool/ etc. O número de acidentes de trabalho no último ano não chegou a 3% do total de pessoas empregadas (489 pessoas no município, dos quais quase 62% em duas das empresas). A indústria mineral tem dificuldades para contratação de obras e serviços e no recrutamento e seleção de pessoal, indicando deficiências de mão-de-obra especializada no município.

Na zona rural, nos estabelecimentos do entorno de Corumbá, o mercado de trabalho está restrito às atividades pecuárias, com baixo nível de utilização de tecnologia. As condições de trabalho são precárias, sobretudo nas atividades onde a mão-de-obra é familiar, com baixa remuneração, obrigando, assim, à utilização da força do trabalho infantil como forma de complementar a renda familiar (PCBAP, 1997). Nesses estabelecimentos são empregados, em média, quatro peões por estabelecimento (com moda e mediana de três), além do capataz. A moda e a mediana de salário pago aos peões e capatazes foi de R$ 154,00 e R$ 314,00 (1 e 1,5 salário mínimo rural), respectivamente. O menor salário recebido pelos pe­ões foi de R$ 120,00 e o maior, de R$ 260,00; para os capatazes, R$ 180,00 e R$1.200,00, respectivamente. Os salários médios para peões e capatazes foram de R$ 162,00 e R$ 355,00, respectivamente. Cerca de 84% dos estabelecimentos oferecem outras formas de pagamento aos peões ou capatazes (alimentação, trans­porte e moradia; direito de plantar roça e criar animais; porcentagem dos bezer­ros nascidos; etc.). A maioria (95%) dos estabelecimentos utiliza mão-de-obra es­porádica, pelo menos uma vez por ano (60%), basicamente para limpeza de pas­to e arrumação de cercas (80%). O salário da mão-de-obra esporádica foi de R$10,00/dia (60%) e de R$ 7,00/dia (40%); alguns estabelecimentos pagam, por hectare, entre R$ 15,00 e R$ 45,00/ha.

Nos assentamentos a utilização da mão-de-obra familiar é a regra (10% não utilizam mão-de-obra familiar), inclusive o uso da força de trabalho infantil. So­mente 5% dos estabelecimentos contratam mão-de-obra permanente, pagando em geral um salário mínimo por mês (média de R$ 115,00). Mão-de-obra tempo­rária é contratada por quase 37% dos estabelecimentos, basicamente para desmatamento, plantio e colheita, na maioria dos casos (53%) por períodos de no máximo cinco dias. O salário médio diário é de R$ 8,00, com moda de R$ 7,00. Quase 21% dos proprietários trabalham em outros estabelecimentos, em geral em lotes vizinhos, mas também em lotes de outros assentamentos.

A intensificação das atividades turísticas vem possibilitando o incremento do mercado de trabalho, apesar do crescimento da prostituição associado ao tu­rismo recreacional esportivo da pesca (PCBAP, 1997). 

Saúde 

Segundo PCBAP (1997), essa região, em 1980, era uma das mais bem supri­das pelos serviços de saúde do estado. Em 1980, os municípios de Ladário e Corumbá possuíam boas coberturas em termos de assistência à saúde. Em 1990, eles passaram a apresentar deficientes coberturas. Apesar dos indicadores da Assistência à Saúde demonstrarem a existência de cobertura na região no perío­do de 1990 a 1995, a microrregião do Baixo Pantanal (incluindo Porto Murtinho) apresentou baixo número de estabelecimentos de saúde por mil habitantes.

Na classificação de Corumbá e Ladário quanto ao índice de Condições de Sobrevivência das Crianças de O a 6 anos (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE/ Fundo das Nações Unidas para a Infância - Unicef) (onde 0,00 a 0,29 = melhor condição; 0,30 a 0,49 = condição intermediária; e 0,50 a 1,0 = pior condição), Corumbá apresenta índice de 0,54 (pior condição) e Ladário de 0,38 (condição intermediária). O coeficiente de mortalidade infantil nesses municípios é de 23,86/mil nascidos vivos em Corumbá e 4,65/mil em Ladário. O maior índice de mortalidade geral nos dois municípios está na faixa de 50 anos e mais. A incidência de doenças concentra-se em casos de tuberculose, hanseníase e sarampo. Corumbá apresentou casos de leishmaniose em diferentes anos de pesquisa (PCBAP, 1997).

Nenhum dos assentamentos possui posto de saúde, embora exista atendi­mento volante periódico. A assistência médica e odontológica utilizada é públi­ca em 93% dos casos, e 5% utilizam exclusivamente assistência médica particu­lar. Quase 20% sempre recebem medicamentos gratuitos dos serviços de saúde pública, mesmo percentual daqueles que nunca recebem. Remédios naturais são utilizados por 73% das famílias. Os partos têm sido realizados em maternidade em 63% dos casos; em 24% por parteiras, e o restante de ambas as formas. Em quase 8% das famílias ocorreram falecimentos no primeiro ano de vida dos fi­lhos. Em geral, só foram relatados casos de doenças comuns nos assentamentos (gripe, dor de cabeça, pressão alta, verminose, etc.).

A situação nas fazendas, nas famílias dos peões e capatazes, é muito similar à dos assentamentos (utilização de remédios naturais, partos em maternidade, falecimentos no primeiro ano de vida, doenças), exceto com relação à assistência médica e odontológica, que é particular na maioria das famílias, e ao recebimen­to de remédios gratuitos, onde quase 70% nunca recebem.

Metade das empresas de exploração mineral oferece assistência médica aos funcionários, mas atendimento odontológico e psicológico não é usual (10% cada). 

Habitação 

No período de 1968 a 1992, foram construídos e entregues dez conjuntos habitacionais em Corumbá, totalizando 1.304 unidades. A média do número de moradores por domicílio está ao redor de 5,0. Essas unidades abrigam aproxi­madamente 6.500 pessoas, ao passo que o incremento populacional urbano foi de 38.513 no período de 1960 a 1991 e de 25.514 no período 1970 a 1991. Por sua vez, o percentual de domicílios urbanos "próprios" era de 44% em 1980 e de 56% em 1991. Esses dados sugerem um déficit habitacional para o estrato social de menor poder aquisitivo, havendo tendência a uma favelização na periferia da cidade. O mesmo se verifica em Ladário, embora com menor intensidade (PCBAP, 1997).

Nos assentamentos, cerca de 68% das casas são de madeira e 20% de alvena­ria; o restante é misto. Cerca de 18% dos estabelecimentos não têm divisão em cômodos (peça única) e a moda de cômodos é de dois por habitação; mais de 60% das habitações têm de um a três cômodos. 

Lazer 

A estrutura de lazer é restrita à estrutura existente para o turismo (hotéis­pesqueiros, barcos-hotéis, hotéis-fazenda, etc.) - provavelmente pouco utilizado pela população local-, e às festividades tradicionais. Não há casas de espetáculo em Corumbá e Ladário.

Nos assentamentos o lazer se dá principalmente pela prática esportiva, com grande predomínio do futebol. Ir à missa é considerado como lazer por grande parte das famílias. Visitar amigos e vizinhos e ver televisão seguem-se na ordem de preferências de lazer, mas com percentual bem abaixo de esportes e ir à missa. O lazer, portanto, também é restrito nos assentamentos. 

Outros 

No que se refere à alimentação, o rio faz com que o peixe dispute com o churrasco a preferência popular, sendo o peixe ao urucum e o caldo de piranha os pratos mais difundidos. Da mesma forma que o rio, a proximidade com a Bolívia interfere nos padrões da cultura local. Se na culinária corumbaense apa­recem iguarias como a saltenha, a influência estrangeira se faz sentir também no âmbito religioso, como ocorre no culto devocional à Nossa Senhora de Urcupinha (PCBAP,1997).

Nos assentamentos, o principal combustível utilizado para cozinhar é a le­nha. Quase 68% dos assentados utilizam somente a lenha para cozinhar, 26% lenha e gás de botijão, e 6% exclusivamente gás de botijão. A lenha, extraída em 99% dos casos, é apanhada diariamente por 38% das famílias. 

Conclusões e Recomendações 

A pecuária, tanto de corte quanto leiteira, é desenvolvida de forma limitada na área de estudo, em particular nos assentamentos, e inclusive com relação à criação de pequenos animais. A agricultura é restrita aos assentamentos, e as di­ficuldades para produção e comercialização se relacionam a aspectos de infra­estrutura geral (transporte, energia elétrica, etc.) e não somente a aspectos pro­dutivos. A falta de água ou a irregularidade do seu abastecimento parece ser o principal fator para a melhoria do processo produtivo. Para a comercialização dos produtos, esses fatores são o escoamento da produção, a inexistência de mercado para absorver o volume produzido e os baixos preços pagos pelos pro­dutos (em geral, mais da metade dos estabelecimentos não comercializou a pro­dução agrícola).

A principal atividade econômica industrial é a extração mineral, em parti­cular ferro e manganês, e calcário para produção de cimento. A tecnologia utili­zada não está defasada em relação aos congêneres no mercado. Dada a capacida­de instalada atual da indústria, existe um potencial de aumento da produção total de 25% na extração de ferro, 20% na de manganês, 28% na de argila (tijolos) e 35% na de areia. Entretanto, existem deficiências nos sistemas de transporte que geram dificuldades para o adequado escoamento da produção.

As atividades turísticas vêm se intensificando na área de estudo, mas ainda com predomínio do turismo recreacional esportivo (pesca). O ecoturismo ainda não vem sendo adequadamente explorado, e o aproveitamento desse nicho de mercado certamente terá reflexos econômicos importantes no turismo regional.

A infra-estrutura urbana de Corumbá e Ladário é deficiente em muitos as­pectos: não há rede de esgoto, a rede de energia elétrica necessita ser ampliada, a pavimentação e arborização dos logradouros deve ser melhorada, o abasteci­mento de água tende a piorar, há lixo a céu aberto em vários locais, etc. Na área rural as deficiências são maiores: na maioria dos assentamentos não existe ener­gia elétrica, a falta de água é uma constante, não há coleta de lixo, e as condições de saneamento básico são críticas. Todos esses fatores se refletem negativamente sobre a qualidade de vida das famílias. Em termos de transporte, existe linha de ônibus regular nas estradas vicinais do município, atendendo a todos os assenta­mentos (e alcançando a maioria das propriedades) e grande parte das fazendas, com acesso, em geral, por estrada de terra.

A rede escolar urbana é atendida diretamente pela UFMS, e as taxas de anal­fabetismo têm sido decrescentes. Nos assentamentos o percentual total de anal­fabetos, considerando a família nuclear, está ao redor de 13%; em cerca de 22% das famílias amostradas foram observadas crianças em idade escolar fora da escola. 

Nas áreas urbanas o mercado de trabalho concentra-se nas atividades terciárias (comércio de mercadorias e prestação de serviços), com grande partici­pação da força de trabalho feminina. Na zona rural, o mercado de trabalho é restrito: nas fazendas, está relacionado à pecuária, com baixa utilização de mão­de-obra, e nos assentamentos, à agricultura, onde predomina a mão-de-obra fa­miliar. Há deficiência de mão-de-obra especializada no município para atender a indústria mineradora. Assim, o incremento do mercado de trabalho na região, a curto e médio prazos, deverá ocorrer no setor de serviços, como já é tendência nas atividades relacionadas ao turismo.

A cobertura em termos de serviços de saúde nos municípios de Corumbá e Ladário reduziu-se no período de 1980 a 1995. O índice de sobrevivência de cri­anças de 0 a 6 anos tem condição intermediária em Ladário e pior condição em Corumbá. A incidência de doenças concentra-se nos casos de tuberculose, hanseníase e sarampo. Na zona rural só foram relatados casos de doenças comuns. 

Existe um déficit habitacional na área urbana, notadamente no estrato soci­al de menor poder aquisitivo, havendo tendência a uma favelização na periferia das cidades. 

O lazer é restrito à estrutura existente para o turismo, fortemente alavanca do pela pesca esportiva, e às festividades tradicionais. Não há casas de espetáculo em Corumbá ou Ladário. 

Referências Bibliográficas 

PLANO DE CONSERVAÇÃO DA BACIA DO ALTO P ARAGU AI. Programa Nacional do Meio Am­biente (PCBAP jPNMA). Análise integrada e prognóstico da Bacia do Alto Paraguai. Brasília, 1997. v.3. 369 p.

SEIDL, AF.; MORAES, A S. Analysis of sportfishing expenditures in the Pantanal. In: ENCONTRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA ECOLóGICA: A economia ecológica e os instru­mentos e políticas para uma sociedade sustentável, 2., 1997, São Paulo. Anais... São Paulo: Soci­edade Brasileira de Economia Ecológica, Brasília, 1997. p. 285-305.