Climatologia


   Balbina Maria Araújo Soriano, meteorologista, M.Sc., Embrapa Pantanal

    


    

Introdução

        O meio ambiente é constituído por um conjunto natural de componentes bióticos e abióticos em constante e complexa interação. Nessas relações mútuas, o clima atua sobretudo como fator dessa interação.

O clima de toda e qualquer região, situada nas mais diversas latitudes do globo, não se apresenta com as mesmas características em cada ano.

Diante desse fato, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) estabele­ce que, para estudos comparativos de clima, sejam calculadas médias climatológicas para períodos de 30 anos de observação, e, além disso, para homogeneidade na comparação, é necessário utilizar-se de um período determi­nado, estando atualmente em vigor as normas climatológicas do período de 1961 a 1990. No entanto, períodos mais curtos de observação, desde que feitas para anos sucessivos, prestam-se para avaliar o comportamento do clima.

A contínua variação do estado de tempo traz conseqüentes mo_ificações no meio físico onde se desenvolvem os vegetais e os animais, tornando-se assim necessário, para melhor interpretação dos seus efeitos, o estudo dos fenômenos meteorológicos durante os anos e sua relação com as condições climáticas nor­mais.

O presente trabalho mostra as condições gerais de clima para Corumbá-MS, fundamentando-se em médias climatológicas dos últimos 22 anos (1975 a 1996), representando, portanto, valores e condições médias de um período de anos su­cessivos, de forma a subsidiar a elaboração do Zoneamento Ambiental da Borda. Oeste do Pantanal: Maciço do Urucum e Adjacências.

 Metodologia

Na caracterização dos aspectos climáticos gerais, foram utilizados dados meteorológicos precipitação pluvial; temperatura do ar (máxima, mínima e mé­dia); umidade relativa do ar e insolação, referentes ao período de 1975 a 1996, coleta dos na Estação Climatológica de Corumbá (Latitude 19°05'S, Longitude 57°30'W, alt. 130 m), pertencente ao Instituto Nacional de Meteorologia Inmet, localizada em Corumbá-MS.

No cálculo do balanço hídrico, aplicou-se o método de Thornthwaite & Mather (1955), cujos dados foram processados segundo um programa de com­putador desenvolvido por Barbiéri, Tuon & Angelocci (1991), obtido do Departa­mento de Física e Meteorologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ, Piracicaba-SP.

 Resultados e Discussão

 Aspectos climáticos gerais

          Segundo a classificação climática de Koppen, cuja sistemática se fundamenta nos regimes térmico e pluviométrico e na distribuição das associações vegetais (Vianello & Alves, 1991), pode-se classificar Corumbá-MS como pertencente ao tipo climático Awa, ou seja, clima tropical de altitude, megatérmico (a tempera­tura média do mês mais frio é superior a 18°C), com inverno seco e chuvas no verão.

Na Tabela 3, encontram-se os valores mensais da temperatura média, máxi­ma e mínima do ar; da precipitação pluvial; da umidade relativa do ar e da inso­lação, que representa a área em estudo, no período de 1975 a 1996.

A temperatura média anual foi de 25,l°C, oscilando entre 21,4°C e 27,7°e. A média anual da temperatura máxima foi de 30,6°C, e nos meses de outubro a janeiro, as máximas absolutas atingiram 40°C, ocorrendo de maio a agosto um declínio considerável da temperatura do ar, pela entrada de massa de ar frio. A média da temperatura mínima foi de 21,0°C e as mínimas absolutas estiveram próximas de 0°C. 

Tabela 3. Dados meteorológicos coletados na Estação Climatológica de Corumbá,

 

MS, no período de observação de 1975 a 1996.

 

 

Mês

T emp. média mensal (OC)

Insolação

Umidade do ar

Chuva total

Dias de

 

Máxima

Mfnima

Média

(horas)

(%)

(mm)

chuva

Janeiro

32,6

23,3

27,2

199,9

78,3

191,0

16

Fevereiro

32,6

23,3

27,0

178,6

80,3

137,0

13

Março

32,1

23,3

26,9

199,5

81,6

134,1

12

Abril

30,7

21,5

25,3

208,0

78,5

77,0

8

Maio

28,3

19,6

23,2

200,7

80,9

53,0

6

Junho

26,6

17,4

21,4

188,7

79,2

26,0

4

Julho

26,8

17,3

21,6

240,0

72,4

19,0

2

Agosto

28,8

18,3

22,8

184,3

72,6

30,3

3

Setembro

30,2

19,7

24,4

144,0

72,5

47,0

5

Outubro

32,7

22,0

26,4

223,0

71,8

88,0

8

Novembro

33,2

22,8

27,1

226,2

75,7

116,0

10

Dezembro

33,1

23,5

27,7

215,8

77,0

152,1

13

Ano

30,6

21,0

25,1

2.408,1

76,8

1.070,0

100

 

A umidade relativa média anual foi de 76,8%, oscilando entre 71,8% e 80,9% durante o ano. A insolação registrou cerca de 2.408,1 horas de total anual de bri­lho solar e a distribuição nos meses oscilou entre 144 horas e 240 horas, sendo julho o mês com maiores valores.

 Variação pluvial mensal e número de dias de chuva

          A Tabela 4 apresenta os dados do número de dias de chuva/mês e seus descritores estatísticos básicos: média e desvio-padrão (dpm). Em termos de pre­cipitação pluvial, a média acumulada no período foi de 1.070,0 mm, chovendo em média cem dias no ano. O período de maior concentração ocorreu de novem­bro a março, sendo registrados 68% do total pluviométrico anual, com média anual de 64 dias de chuva, sendo janeiro o mês mais chuvoso com 191,0 mm, distribuídos em 16 dias de chuva. O período de maior estiagem ocorreu de ju­nho a agosto, tendo sido registrados apenas 7% do total pluviométrico anual em   nove dias de chuva.

Freqüência de ocorrência

As Tabelas 5 a 16 representam a freqüência mensal de ocorrência de totais pluviométricos, fornecendo mais detalhes sobre o regime pluviométrico regio­nal.

 

Pela freqüência mensal dos totais pluviais, verificou-se que a maior fre­qüência de ocorrência, nos meses considerados mais secos na região (junho, ju­lho e agosto), situa-se na faixa de 0 a 50 mm de chuva/mês (Tabelas 5,6 e 7). O mês de setembro (Tabela 8) apresentou, também, maior freqüência na faixa de 0 a 50 mm(14 anos).

Tabela 4. Número de dias de chuva no município de Corumbá, MS, no período de observação de 1975 a 1996.

Ano

lan.

Fev.

Mar.

Abr.

Maio

lun.

lul.

Ago.

Set.

Out.

Nov.

Dez.

Total

1975

11

9

11

7

3

5

4

1

2

8

13

19

93

1976

14

14

12

9

8

3

1

4

11

9

9

14

108

1977

19

14

7

5

7

5

1

6

8

10

15

13

110

1978

14

7

7

3

7

2

1

1

3

11

11

12

79

1979

23

7

       11

6

7

0

5

1

3

6

7

16

92

1980

15

12

       15

13

5

2

5

4

7

3

8

9

98

1981

22

15

      11

5

2

5

0

4

3

7

10

15

99

1982

11

         17   

       20

6

8

10

1

5

4

8

9

13

112

1983

20

8

11

8

14

8

6

2

5

10

10

10

112

1984

16

15

10

10

3

1

0

5

7

9

12

20

108

1985

14

15

18

12

6

1

4

3

7

6

8

5

99

1986

16

21

15

5

12

1

1

7

8

8

6

11

111

1987

16

11

13

9

7

4

2

4

3

9

8

14

100

1988

15

12

21

9

9

2

2

0

2

7

12

13

104

1989

22

16

14

11

4

6

3

6

6

4

10

17

119

1990

16

15

8

4

9

6

4

3

6

11

9

11

102

1991

16

11

12

12

5

6

3

2

4

6

11

7

         95

1992

11

18

12

5

5

2

2

6

10

10

7

9

         97

1993

14

6

10

8

3

1

3

2

4

8

8

16

        83

1994

15

10

10

4

6

9

3

3

5

10

9

16

   100

1995

13

15

9

8

4

2

2

0

0

12

8

9

82

1996

22

11

13

10

6

0

2

2

11

8

12

9

106

Média

16

13

12

8

6

4

2

3

5

8

10

13

100

Dpm

3,6

3,8

3,7

2,8

2,9

2,9

1,6

2,0

2,9

2,2

2,2

3,8

10,1

         No mês de outubro (Tabela 9), observou-se tendência de aumento da preci­pitação (início do período chuvoso), quando comparada à média dos meses an­teriores, com maior freqüência dos totais de precipitação mensal entre 51 e 100 mm (oito anos), enquanto os meses de novembro e dezembro (Tabelas 10 e 11) apre­sentaram entre 101 e 150 mm (nove e sete anos, respectivamente).

Em janeiro (Tabela 12), verificou-se a tendência de apresentar a mais alta pluviosidade do ano. Caracteriza-se por alta freqüência de chuvas superiores a 200 mm (dez anos).

O mês de fevereiro (Tabela 13) apresentou precipitação média inferior ape­nas aos meses de dezembro e janeiro, considerando o período novembro a mar­ço. As maiores freqüências ocorreram entre 51 e 100 mm (oito anos) e 101 e 150 mm (sete anos). Verificou-se, no mês de março (Tabela 14) que a precipitação média mensal foi ligeiramente inferior a fevereiro, com freqüência mais alta entre 101 e 150 mm (oito anos).

Nos meses de abril e maio (Tabelas 15 e 16 respectivamente), observou-se um decréscimo na média de precipitação mensal, em relação aos meses anteriores (novembro a março). As maiores freqüências ocorreram entre 51 e 100 mm (11 anos) no mês de abril, eentre O e 50 mm no mês de maio (11 anos). Nos últimos 22 anos, no período de abril a outubro, não se observou precipitação superior a 200 mm.

Tabela 5 Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de junho, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe(mm)

Freqüência(ano)

Precipitação(mm)

Ano

 

 

0,0

1979

 

 

0,0

1996

 

 

0,1

1986

 

 

0,3

1985

 

 

0,9

1980

 

 

1,1

1988

0-50

16

1,2

1984

 

 

1,5

1995

 

 

2,8

1993

 

 

5,1

1983

 

 

5,4

1978

 

 

18,2

1992

 

 

23,7

1987

 

 

26,7

1976

 

 

43,0

1982

 

 

48,1

1991

 

 

58,7

1981

 

 

60,8

1994

51-100

6

61,7

1990

 

 

69,6

1989

 

 

71,8

1975

 

 

72,1

1977

101 - 150

-

-

-

151-200

-

-

-

Acima 200

-

-

-

Média

 

26,0

 

Tabela 6. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de julho, de acordo com classe de precipitação, no período de de 1975 a 1996, Corumbá, MS. 

Classe(mm)

Freqüência(ano)

Precipitação(mm)

Ano

 

 

0,0

1981

 

 

0,0

1984

 

 

0,4

1988

 

 

0,6

1982

 

 

0,7

1978

 

 

1,9

1976

 

 

2,7

1991

 

 

4,7

1986

 

 

6,5

1995

0-50

19

9,1

1987

 

 

10,4

1992

 

 

10,9

1993

 

 

18,8

1990

 

 

19,2

1996

 

 

26,2

1975

 

 

27,8

1979

 

 

32,0

1980

 

 

35,2

1989

 

 

42,2

1994

 

 

51,0

1985

51 – 100

3

52,9

1983

 

 

60,7

1977

101 - 150

-

-

-

151-200

-

-

-

Acima 200

-

-

-

Média

 

19,0

 

           

                  Tabela 7. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de agosto, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência (ano)

Precipitação (mm)

Ano

 

 

0,0

1988

 

 

0,0

1995

 

 

0,6

1975

 

 

1,0

1978

 

 

2,1

1983

 

 

3,0

1991

 

 

3,4

1994

 

 

3,8

1996

 

 

6,7

1980

0-50

17

12,5

1990

 

 

13,6

1985

 

 

17,5

1993

 

 

18,8

1992

 

 

25,8

1987

 

 

26,1

1979

 

 

29,6

1977

 

 

37,3

1982

 

 

61,4

1986

51  100

4

70,2

1981

 

 

90,5

1976

 

 

96,2

1989

101 150

1

146,5

1984

151-200

-

-

-

Acima 200

-

-

-

Média

 

30,3

 

 

                   Tabela 8. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de se­tembro, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência (ano)

Precipitação (mm)

Ano

 

 

0,0

1995

 

 

0,8

1981

 

 

3,7

1987

 

 

6.2

1988

 

 

10,7

1983

 

 

11,6

1996

O-50

14

12,6

1993

 

 

13,3

1975

 

 

14,8

1989

 

 

14,9

1979

 

 

31,6

1994

 

 

38,2

1977

 

 

43,7

1978

 

 

47,6

1982

 

 

51,6

1990

51 -100

4

52,1

1986

 

 

58,9

1985

 

 

68,4

1980

 

 

108,8

1991

101 -150

3

117,0

1984

 

 

124,8

1976

151 - 200

1

195,4

1992

Acima 200

-

-

-

Média

 

47,0

 

 

 

 

 

 

                 Tabela 9. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de outubro, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência (ano)

 

Precipitação (mm)

Ano

 

 

40,6

1986

 

 

42,8

1991

 

 

43,4

1981

0-50

6

45,9

1993

 

 

46,1

1989

 

 

46,8

1984

 

 

52,8

1980

 

 

54,3

1983

 

 

54,6

1985

 

 

64,9

1979

51 - 100

8

72,7

1994

 

 

86,8

1988

 

 

87,0

1982

 

 

94,3

1977

 

 

102,6

1987

 

 

112,1

1975

 

 

131,0

1976

101 - 150

6

142,1

1996

 

 

146,0

1990

 

 

148,9

1995

151 - 200

2

156,6

1992

 

 

158,1

1978

Acima 200

-

-

-

Média

 

88,0

 

 

 

 

 

 

                     Tabela 10. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de novembro, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência(ano)

Precipitação (mm)

Ano

 

 

19,4

1996

0- 50

4

20,5

1991

 

 

38,7

1981

 

 

41,5

1993

 

 

54,6

1989

51-100

4

54,8

1990

 

 

65,2

1985

 

 

75,0

1986

 

 

103,3

1982

 

 

104,8

1995

 

 

110,4

1976

 

 

115,4

1988

101 -150

9

124,8

1992

 

 

126,2

1987

 

 

132,0

1994

 

 

137,5

1983

 

 

139,5

1979

 

 

173,9

1977

1 51 - 200

3

179,3

1978

 

 

189,2

1975

Acima 200

2

244,4

1980

 

 

299,8

1984

Média

 

116,0

 

                       

                     Tabela 11. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de dezembro, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência (ano)

Precipitação (mm)

Ano

0-50

1

45,2

1995

 

 

53,4

1977

51-100

4

60,2

1985

 

 

73,9

1983

 

 

97,2

1996

 

 

104,6

1992

 

 

110,8

1990

 

 

117,8

1988

101 - 150

7

127,1

1982

 

 

128,0

1991

 

 

137,6

1978

 

 

142,8

1980

 

 

154,3

1976

 

 

155,9

1986

151 - 200

5

158,9

1993

 

 

186,9

1975

 

 

189,1

1981

 

 

201,4

1989

 

 

231,4

1987

Acima 200

5

279,3

1984

 

 

285,3

1979

 

 

305,1

1994

Média

 

152,1

 

 

 

 

 

                 

                     Tabela 12. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de janeiro, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência(ano)

Precipitação (mm)

Ano

0-50

2

23,3

1994

 

 

31,7

1982

51 - 100

2

70,3

1975

 

 

92,4

1990

 

 

104

1984

101 - 150

3

114,2

1992

 

 

118,4

1993

 

 

155,6

1988

 

 

164,7

1985

151 - 200

5

182,8

1977

 

 

192,4

1978

 

 

192,8

1986

 

 

200,1

1980

 

 

200,9

1989

 

 

225,2

1981

 

 

249,8

1995

Acima 200

10

255,2

1991

 

 

259,5

1976

 

 

271,1

1996

 

 

351,5

1983

 

 

362,8

1979

 

 

378,5

1987

Média

 

191,0

 

 0

                     Tabela 13. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de fevereiro, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência (ano)

Precipitação (mm)

Ano

0-50

1

41,4

1979

 

 

56,0

1991

 

 

59,2

1978

 

 

67,0

1975

51-100

8

68,0

1983

 

 

77,0

1987

 

 

85,6

1996

 

 

89,3

1988

 

 

96,8

1994

 

 

108,5

1993

 

 

109,7

1977

101 - 150

7

115,6

1984

 

 

124,0

1980

 

 

126,3

1981

 

 

130,0

1985

 

 

141,9

1990

 

 

174,8

1989

151 - 200

3

182,2

1986

 

 

194,2

1995

 

 

257,2

1982

Acima 200

3

261,8

1976

 

 

447,9

1992

Média

 

137,0

 

                  

         

                      Tabela 14. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de março, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência(ano)

Precipitação (mm)

Ano

 

 

43,1

1977

0-50

4

47,0

1995

 

 

47,4

1984

 

 

47,6

1993

51 - 100

2

63,4

1987

 

 

65,1

1986

 

 

120,4

1983

 

 

122,5

1975

 

 

124,9

1996

101 - 150

8

131,0

1989

 

 

137,5

1976

 

 

138,3

1978

 

 

145,3

1979

 

 

149,6

1980

 

 

162,2

1990

 

 

165,8

1991

151 - 200

5

173,5

1985

 

 

179,5

1992

 

 

188,3

1981

 

 

209,8

1994

Acima 200

3

229,5

1982

 

 

258,7

1988

Média

 

134,1

 

  

                     Tabela 15. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de abril, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Precipitação (mm)

Freqüência (ano)

Ano

 

 

14,3

1994

 

 

23,9

1986

0-50

6

33,8

1987

 

 

46,2

1977

 

 

46,6

1990

 

 

49,7

1979

 

 

51,3

1982

 

 

53,6

1984

 

 

61,4

1981

 

 

62,7

1996

 

 

67,9

1992

51 -100

11

71,6

1988

 

 

80,0

1983

 

 

81,3

1976

 

 

82,5

1995

 

 

85,4

1993

 

 

94,0

1989

 

 

110,5

1980

101 - 150

4

115,4

1978

 

 

118,4

1985

 

 

148,0

1991

151 -.200

1

195,3

1975

Acima 200

-

-

-

Média

 

77,0

 

  

                     Tabela 16. Freqüência de ocorrência de totais pluviais do mês de maio, de acordo com classe de precipitação, no período de 1975 a 1996, Corumbá, MS.

Classe (mm)

Freqüência(ano)

Precipitação(mm)

Ano

 

 

3,6

1989

 

 

5,4

1975

 

 

6,4

1993

 

 

11,5

1981

 

 

13,1

1991

0-50

11

22,8

1984

 

 

23,6

1995

 

 

27,1

1985

 

 

28,0

1976

 

 

45,4

1978

 

 

49,9

1980

 

 

57,6

1987

 

 

59,9

1977

 

 

60,2

1988

51-100

8

60,5

1994

 

 

68,8

1983

 

 

71,8

1992

 

 

83,1

1996

 

 

96,0

1979

101 - 150

2

105,6

1990

 

 

107,4

1982

151 - 200

1

157,8

1986

Acima 200

-

-

-

Média

 

53,0

 

 

 

 

 

 

Balanço hídrico

O balanço hídrico, segundo Thornthwaite & Mather (1955), com capacidade de armazenamento de água no solo (CAD) de 100 mm (Reichardt, 1987), foi utili­zado para caracterizar a disponibilidade hídrica e a distribuição das chuvas du­rante o ano, indicando épocas de deficiência e de excesso hídrico.

 Balanço hídrico climático normal

Utilizando-se os totais pluviais médios mensais e a temperatura média men­sal, representativos do período 1975 a 1996 (22 anos), foram obtidos os valores dos parâmetros médios do balanço hídrico mensal (Tabela 17 e Figura 26).

Analisando-se a Tabela 17 e a Figura 26, verificou-se que a área em estudo é caracterizada por intensa evapotranspiração potencial, na maioria dos meses, com exceção de janeiro, onde a oferta pluvial foi superior. Considerando que tanto a oferta de energia como a necessidade ambiental de água são muito grandes nes­sa região, sobretudo na primavera e no verão, é de se esperar que o processo de retorno de água à atmosfera pela evapotranspiração seja muito intenso (Tarifa, 1986). A deficiência hídrica anual foi de 318,0 mm e ocorreu de março a dezem­bro, sendo mais pronunciado de julho a outubro, o que corresponde a 59% do total anual. Resultado semelhante foi encontrado por Alfonsi & Camargo, 1986.

Tabela 17. Balanço hídrico climático normal (1975 a 1996) de Corumbá-MS, CAD =

 

100 mm (P = chuva; ETP = evapotranspiração potencial; DEF = deficiência hídrica; EXC = excedente hídrico).

Mês

p

ETP

DEF

EXC

(mm)

(mm)

(mm)

(mm)

Janeiro

191

157

0

0,0

Fevereiro

137

137

0

0,0

Março

134

145

7

0,0

Abril

77

107

22

0,0

Maio

53

80

22

0,0

junho

26

57

26

0,0

julho

19

69

45

0,0

Agosto

30

83

49

0,0

Setembro

47

96

47

0,0

Outubro

88

135

46

0,0

Novembro

116

150

33

0,0

Dezembro

152

167

15

0,0

Ano

1070

1388

318

0,0

 

Conclusões e Recomendações

        Diante do exposto, pode-se descrever o clima de Corumbá como sendo: Awa - clima tropical, megatérmico, com inverno seco e chuvas no verão. A tem­peratura média anual do período 1975 a 1996 foi de 25,1°c. A média anual das temperaturas máximas e mínimas foi de 30,6°C e 21,0°C, respectivamente. As máximas absolutas já atingiram 40°C, e as mínimas absolutas estiveram próxi­mas de 0°e. A umidade relativa média anual foi 76,8%. A insolação registrou cerca de 2.408,1 horas de total anual de brilho solar. A precipitação pluvial média acumulada no período de 1975 a 1996 foi de 1.070,0 mm , chovendo em média cem dias no ano e o período de maior concentração ocorreu de novembro a mar­ço, sendo registra dos 68% do total pluviométrico anual. A evapotranspiração de referência, ao longo do ano, situa-se em torno de 1.400,0 mm. A deficiência hídrica da região foi de 318 mm.

O procedimento apresentado e a análise dos referidos dados complementam o conhecimento da média de precipitação mensal durante os anos levantados (1975 a 1996), indicando a freqüência das ocorrências.

O balanço hídrico mensal climático, por utilizar somente valores normais mensais de temperatura e precipitação, não pode atender situações surgidas onde se exige o conhecimento das diferentes probabilidades mensais de ocorrência de excesso e de deficiência de água. Entretanto, produz resultados úteis para a ca­racterização climatológica da região e informa sobre a distribuição das deficiên­cias e excessos de chuva.

 Entende-se ser este estudo uma forma de trabalhar os dados climáticos lo­cais, e, também, uma maneira de dispor essas informações aos extensionistas, produtores e pesquisadores.

Recomenda-se a mudança do local da Estação Climatológica de Corumbá (Estação Convencional). A estação precisa estar localizada em lugar aberto, isto é, sem obstáculos em sua volta, seguindo as normas do Inmet.

Sugere-se a instalação de uma estação meteorológica automática, com sensores de precipitação, temperatura do ar, pressão atmosférica, radiação glo­bal, insolação, umidade relativa do ar, velocidade e direção do vento, tempera­tura do solo, na Estação Convencional.

Recomenda-se a instalação de estações meteorológicas automáticas, com sensores de precipitação, temperatura do ar, radiação global, umidade relativa do ar, velocidade e direção do vento, etc., nos assentamentos de Corumbá, com o objetivo de monitorar a ocorrência dos principais elementos meteorológicos, vindo suprir a deficiência de informações que permitam realizar zoneamento agrícola, aptidão regional e caracterização climática.

 Referências Bibliográficas

       ALFONSI, RR; CAMARGO, M.B.P. de. Condições climáticas para a região do Pantanal Mato­Grossense. In: SIMPÓSIO SOBRE RECURSOS NATURAIS E SOCIO-ECONÔMICOS DO PANTA­NAL, 1., 1984, Corumbá. Anais... Brasília: Embrapa-DDT, 1986. p.29-42. (Embrapa-CPAP. Docu­mentos,5).

     BARBIÉRI, W.; TUON, RL.;ANGELOCCI, LR Programa para microcomputador do balanço hídrico (Thornthwaite & Mather, 1955) para dados mensais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA, 7., 1991, Viçosa. Resumos... Viçosa: Universidade Federal de Viçosa/ Sociedade Brasileira de Agrometeorologia, 1991. p .297-299.

  REICHARDT, K. Água em sistemas agrícolas. São Paulo: Manole, 1987. 188p.  TARIFA, J.R O sistema climático do Pantanal. Da compreensão do sistema à definição de priorida­des de pesquisa climatológica. In: SIMPÓSIO SOBRE RECURSOS NATURAIS E SOCIO-ECONÔ­MICOS DO PANTANAL, 1., 1984, Corumbá. Anais... Brasília: Embrapa-DDT, 1986. p.9-27. (Embrapa-CP AP. Documentos, 5).

THORNTHWAITE, c.w.; MATHER, JR The water balance. Ceterton: Drexel Instituto ofTechnology­ Laboratory of Climatology Ceterton, N.J., 1955. l04p. (Publications in Climatology, v.8, n.1).

 VIANELLO, RL, ALVES, AR Meteorologia básica e aplicações. Viçosa: UFV, 1991. 449 p.il.